domingo, 25 de junho de 2017

Alunos do fundamental já migram mais para EJA do que os do ensino médio

Dados do Inep mostram que 2,7% dos estudantes - mais de 344,5 mil - saíram do ensino regular entre os anos de 2014 e 2015
Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo
21 Junho 2017 | 03h00


Mais alunos dos anos finais do ensino fundamental (do 6.º ao 9.º ano) migram para a Educação de Jovens e Adultos (EJA) do que os do ensino médio. Dados inéditos, divulgados nesta terça-feira, 20, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), mostram que 2,7% dos estudantes - mais de 344,5 mil - ainda no fundamental saíram do ensino regular entre os anos de 2014 e 2015. No ensino médio, a proporção é menor, de 1,9% - 157,7 mil dos alunos.

Para cursar a EJA, é preciso ter 15 anos completos para se matricular no ensino fundamental e 18 anos, para o ensino médio. Na maioria das escolas, essa etapa - que substituiu o supletivo - ocorre no período noturno e tem uma carga horária menor.

“São estudantes que foram reprovados muitas vezes já no início da educação básica e estão em defasagem. As escolas não conseguem lidar com as dificuldades, educacionais e sociais, e ele acaba indo para a EJA, o que é muito equivocado”, diz César Callegari, integrante do Conselho Nacional de Educação.

A procura pela EJA já no fundamental chega a 5% dos estudantes de Estados como Alagoas, Bahia, Sergipe, Rio Grande do Norte e Pará. Além dessa migração, nessa etapa o Brasil perde 5,4% dos alunos, que desistem de estudar. “Os números de jovens que deixam de estudar ou procuram a EJA já nessa etapa mostram um abismo. São jovens que não têm perspectiva de terminar nem o ensino médio. É uma situação enfrentada pela população mais pobre e que é naturalizada”, diz Priscila Cruz, diretora executiva do Movimento Todos pela Educação.

Os dados mostram que, no 6.º ano do fundamental (o primeiro da etapa), 14,4% dos estudantes são reprovados. O porcentual tem queda, mas volta a subir no 1.º ano do ensino médio, quando 15,2% reprovam.

Atenção

 “O País não dá atenção para os anos de transição entre etapas de ensino e o aluno sofre e leva essa defasagem para os demais anos”, disse Callegari.

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