sexta-feira, 19 de junho de 2015

Armas a postos

Armas a postos

O atual clima de confrontação entre a Rússia e os países da Otan (aliança militar ocidental) obedece a um velho e conhecido roteiro, pelo qual ambos os lados, sem que pretendam de fato se envolver em uma guerra, buscam impressionar o adversário por meio de fartas exibições de poderio bélico.
Moscou intensificou sua movimentação militar a partir do ano passado. Deslocou dezenas de milhares de soldados para as fronteiras ocidentais, ampliou os exercícios regulares de suas tropas terrestres, aéreas e navais e passou a realizar, sem aviso prévio, treinamentos de combate em regiões próximas de vizinhos europeus.
A Otan, por sua vez, reforça suas posições na Europa oriental. No início de 2015, a organização decidiu aumentar de 13 mil para 30 mil homens suas forças de reação rápida; além disso, criou novos centros de comando na região.
Agora vieram à tona planos do Pentágono, endossados por outros membros da Otan, de alocar tanques, veículos de combate e outros armamentos pesados em países dos Bálcãs e do Leste Europeu.
Se o projeto se concretizar, pela primeira vez os Estados Unidos mobilizarão equipamentos dessa espécie em países que estiveram na órbita da extinta União Soviética.
Mais que isso, a movimentação contrariaria acordo assinado entre o Kremlin e a Otan em 1997, pelo qual a aliança ocidental se compromete a não ampliar suas forças terrestres nas cercanias da Rússia.
Membros da organização militar, porém, entendem que o pacto se tornou obsoleto --as circunstâncias teriam se modificado radicalmente com a política expansionista praticada pelo presidente russo, Vladimir Putin.
O exemplo acabado dessa diretriz está na anexação da Crimeia, região que pertencia à Ucrânia, levada a cabo por Moscou em março de 2014. A ação foi conduzida em meio a protestos internacionais e apoiada por controverso referendo.
No episódio mais recente dessa escalada, Putin anunciou que acrescentará 40 mísseis intercontinentais ao seu arsenal nuclear.
Em sua frase mais conhecida, o teórico da estratégia militar Carl von Clausewitz (1780-1831) diz que a guerra é a "continuação da política por outros meios". Apesar da renovada disputa armamentista, Otan e Rússia felizmente ainda estão muito longe de atingir esse limiar fatídico.

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