quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Integração de muçulmanos à Europa é alvo de manipulações

ANÁLISE

Integração de muçulmanos à Europa é alvo de manipulações

DIOGO BERCITOENVIADO ESPECIAL A PARIS
Não é verdade que o islã seja incompatível com a Europa "cristã e democrática", como será dito depois do atentado à Redação do "Charlie Hebdo". Nem que haja uma "guerra entre civilizações".
Mas o ataque brutal de Paris, assim como episódios anteriores de violência radical na região, deixam por outro lado evidente o atrito entre países europeus e suas populações muçulmanas.
O "Charlie Hebdo" já havia sido sido alvo de atentado em 2011 depois de publicar uma ilustração de Maomé. Na Dinamarca, é célebre o caso das caricaturas do profeta com uma bomba na cabeça --que motivou revoltas e ameaças.
O diretor holandês Theo van Gogh foi morto em 2004 após realizar um filme polêmico sobre o tratamento das mulheres no islã.
Esse atrito era justamente um dos temas da edição desta quarta do jornal, representando o romancista francês Michel Houellebecq, que acaba de publicar um livro sobre a França do futuro --governada por muçulmanos. O temor diante da imigração e do crescimento dessa população é evidente ali.
O assunto é matéria-prima para a manipulação política em diferentes grupos. A direita francesa, por exemplo, é crítica à imigração ao país. Líderes islâmicos radicais mobilizam seus seguidores em torno de casos como o do "Charlie Hebdo", também.
O isolamento e a falta de perspectivas, aliás, são apontados por jovens militantes como uma das razões pelas quais viajam à Síria para lutar nas fileiras do Estado Islâmico.
Também preocupa que a luta contra o EI, percebida em alguns círculos como uma "luta contra o islã", motive ataques como o desta quarta.

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