quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Cerca de 100 mil vão às ruas por vítimas de atentado na França

Cerca de 100 mil vão às ruas por vítimas de atentado na França

Em Paris, 35 mil se reuniram na Praça da República; franceses temem xenofobia após episódio
Presidente francês pede união ao país e diz que assassinos serão tratados 'com rigidez'; EUA oferecem apoio
GUSTAVO RIBEIROCOLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM PARIS
Cerca de 100 mil pessoas se mobilizaram em toda a França em solidariedade às 12 vítimas fatais do ataque ao jornal Charlie Hebdo. O principal ato ocorreu na Praça da República, em Paris, e reuniu 35 mil franceses.
O evento foi marcado pela preocupação em não estigmatizar os árabes e muçulmanos que vivem na França.
"Esses monstros não representam toda a comunidade árabe. Não podemos nos deixar contagiar pelo delírio de um ato extremista", diz o jornalista Alexandre Bodovski.
Organizado por partidos de esquerda, o ato começou às 17h (hora local). Inicialmente, os manifestantes ficaram em silêncio, mostrando cartazes em defesa da liberdade de expressão e em repúdio ao extremismo. Depois, entoaram cantos de "Não temos medo" e "Eu sou Charlie".
Por volta das 22h30, desenhistas fizeram um memorial às vítimas: um círculo de velas, com canetas no interior.
"Eu e minha mulher acompanhamos toda a trajetória do Charlie. É um jornal que sempre representou um direito fundamental: o de rir de tudo e de todos", disse o aposentado Jean Banot, que participava da manifestação.
"O mais triste, além da perda humana, é saber que esse episódio dará abertura a discursos xenófobos", acrescentou sua mulher, Michelle.
A preocupação não chega a ser um exagero, pois também havia vozes radicais. Era o caso de Claude Batola, congolês radicado na França há 20 anos. "É preciso acabar de uma vez por todas com o islã radical na França. O que eles fizeram é desumano."
Manifestantes criticaram presentes que empunhavam bandeiras de partidos políticos ou da União Europeia. "Este é um momento de solidariedade. Não é hora de proselitismo político", disse a psicóloga Margot Martin.
O Partido Socialista francês convocou "todos os republicanos franceses" a uma manifestação no sábado (10).
Os atos desta quarta e repetiram em cidades da Europa, dos EUA e do Brasil. Cerca de 200 manifestantes fizeram um ato no vão livre do Masp, na região central em São Paulo, enquanto outros 150 se reuniram no Largo do Machado, zona sul do Rio.
APOIO
O presidente da França, François Hollande, afirmou não haver dúvida de que o ataque foi terrorista e pediu união ao país. "Nossa melhor arma é a união. Nada pode nos dividir e nada pode nos colocar uns contra os outros." Ele ressaltou que seu governo fará tudo para encontrar os assassinos, que serão tratados "com rigidez".
Líderes mundiais, como a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente dos EUA, Barack Obama, repudiaram o ataque. Obama se comprometeu a ajudar a França na caça aos terroristas. "Vamos providenciar qualquer assistência para levar os terroristas à Justiça", disse em nota.
A presidente Dilma Rousseff demonstrou "profundo pesar e indignação" e classificou o ato como um ataque à liberdade de imprensa.

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