quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Presidente interino diz que separatismo ameaça a Ucrânia

Na Crimeia, de maioria étnica russa, população sai às ruas para protestar contra novas autoridades do país.  Segundo imprensa russa, ex-presidente Viktor Yanukovich foi visto pela última vez nessa região da Ucrânia

DO "GUARDIAN" DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

O presidente interino ucraniano, Oleksander Turchinov, alertou ontem para o risco de separatismo que ameaça o país, principalmente na Crimeia, república autônoma com maioria étnica russa.
Manifestantes vêm realizando protestos na região, principalmente em Sevastopol, cidade portuária que abriga a frota russa do mar Negro, para demonstrar hostilidade às novas autoridades da capital, Kiev.
Acredita-se que a situação possa levar a Crimeia a declarar independência, buscando aderir à Federação Russa.
Ontem, a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, destacou a importância de a Ucrânia manter sua integridade territorial, acrescentando: "É muito importante que a Rússia dê seu respaldo para que a Ucrânia possa seguir adiante da forma que desejar".
Segundo a Associated Press, dois caminhões com soldados russos foram vistos circulando por Sevastopol. A bandeira ucraniana em frente ao conselho municipal também foi substituída na segunda-feira por uma da Rússia.
Apesar disso, o chanceler russo, Sergei Lavrov, disse que Moscou não vai intervir na Ucrânia e que é "perigoso" e "contraprodutivo" forçar uma situação em que a Ucrânia deva escolher se estará "com ou contra" a Rússia.
O presidente deposto Viktor Yanukovich teria sido avistado pela última vez em Balaclava --polo turístico da Crimeia. Acredita-se que ele esteja refugiado em uma embarcação militar russa ancorada naquele porto.
A última vez que Sevastopol passou por um clima de insurreição foi em 2008, quando Viktor Yushchenko, então presidente pró-ocidental da Ucrânia, anunciou planos para tirar a frota russa da cidade. Depois que Yushchenko perdeu o poder, Yanukovich, seu sucessor, prolongou por 25 anos o acordo que permitia que a frota usasse a cidade como base. Em troca, a Rússia deu à Ucrânia descontos para a importação de gás natural.
As intenções de Vladimir Putin para a Crimeia continuam incertas. A Ucrânia tem posição central na crença de Putin de que a Rússia tem "interesses privilegiados" nas antigas repúblicas soviéticas.
A Crimeia também é vista como sinônimo da glória militar soviética entre os russos. A czarina Catarina, a Grande, construiu no local uma cidadela militar depois de derrotar os turcos, em 1783.
Mas nem toda a população local apoia os russos. Em 1944, Stálin deportou os tártaros --população muçulmana de fala turca-- da Crimeia para a Ásia Central. Depois do colapso soviético, eles começaram a voltar. Hoje somam mais de 300 mil e rejeitam a ideia de se unir à Rússia.

A Crimeia fez parte da Rússia até 1954, quando foi concedida à Ucrânia pelo líder soviético Nikita Khruschov.

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