quinta-feira, 25 de abril de 2013


Kenneth Maxwell

"Campeões cambaleantes"

No "Financial Times" desta semana, Joe Leahy, correspondente do jornal no Brasil, oferece uma análise pessimista sobre as perspectivas econômicas brasileiras.
Ele escreve que o boom na maior economia latino-americana, alimentado pelos altos preços das commodities e crédito fácil, chegou ao seu pico, o que coloca sob pressão as empresas que desfrutavam de forte apoio político e econômico do Estado.
Avaliando grandes empresas privadas e estatais que receberam crédito estatal subsidiado, como Petrobras e Vale, Leahy aponta para o rebaixamento da classificação de crédito do BNDES e da Caixa Econômica Federal pela Moody's Investors Services, alegando que os dois têm exposição excessiva aos seus maiores devedores.
O principal exemplo de Leahy está nas empresas de Eike Batista. A OGX, companhia petroleira criada por ele, está envolvida em um dos negócios mais arriscados e de maior necessidade de capital, a exploração e produção de petróleo, setor no qual os mercados brasileiros não têm grande experiência. Para agravar o problema, a OGX se viu forçada a suspender a produção em seus três poços "offshore" de petróleo no campo de Tubarão Azul, na bacia de Santos.
Outros analistas atribuem os dilemas atuais à forma de capitalismo de Estado praticada no país. Mas será que estão certos?
O Brasil certamente precisa investir mais na atualização de sua infraestrutura, na melhora de estradas, portos, ferrovias e aeroportos. E a aproximação da Copa e da Olimpíada torna esses projetos muito urgentes.
Mas também é verdade que na Europa e nos EUA há, igualmente, incerteza sobre o futuro. O amplo consenso que prevalecia desde a Segunda Guerra Mundial está se rompendo, e a questão é basicamente a mesma dos dois lados do Atlântico Norte: como sustentar as redes de previdência e bem-estar social que se tornaram excessivamente dependentes de dinheiro emprestado, diante da austeridade e da limitação de recursos?
Nos EUA, o impasse político é evidente. Já entrou em vigor o corte automático de Orçamento que resulta do fracasso da Casa Branca e da liderança do Congresso em obter um acordo sobre finanças públicas.
Na Europa, Mario Draghi, presidente do BC Europeu, assumiu o compromisso de adquirir títulos de dívida nacional dos países da zona do euro, o que salvou o euro (por enquanto). Mas isso não ajuda pequenas e médias empresas do sul da Europa.
A desaceleração econômica na China e a instabilidade nos mercados internacionais do Brasil representam desafios, com certeza. Mas os problemas brasileiros nem de longe podem ser atribuídos ao papel econômico do Estado.

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