quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Antes de sair, papa vai nomear o presidente do Banco do Vaticano


Chefe anterior foi afastado após o vazamento de documentos

DO ENVIADO A ROMA

Antes de deixar o papado, Bento 16 tapará um dos buracos abertos na estrutura do Vaticano pelas divisões internas: será nomeado dentro de "poucos dias" o presidente do IOR (Instituto para Obras Religiosas), mais conhecido como o Banco do Vaticano.
O anúncio foi feito pelo secretário de Estado, Tarcisio Bertone, o segundo homem na estrutura da Santa Sé, a quem se acusa de ter feito pressão para que fosse demitido Ettore Gotti Tedeschi, pessoa de confiança do papa e membro da Opus Dei -a poderosa ordem que teve papel relevante com João Paulo 2º e continuou tendo com Joseph Ratzinger.
Gotti Tedeschi, acusado de má gestão, sem maiores especificações, foi afastado em maio do ano passado.
A demissão foi "acompanhada de uma demolição de sua figura humana e profissional, que filtrou dos muros vaticanos e que não tem precedentes na história recente da Santa Sé", segundo o boletim "Vatican Insider", publicado pelo matutino "La Stampa".
O simples fato de que o cargo ficou vago durante quase um ano indica como as finanças do Vaticano são obscuras e problemáticas.
Essa complexidade seria uma das razões para que o papa decidisse renunciar.
Marco Tosatti, também em "La Stampa", lembra os problemas de saúde de Bento 16, mas acrescenta que "quem o conhece fala também de uma característica que o acompanhou a vida toda, isto é, a tendência a somatizar problemas e dificuldades da igreja".

PRESSA

"Vatican Insider" critica a decisão de nomear o novo presidente do banco exatamente no momento em que há estupor pela renúncia de Bento 16.
Lamenta que, "nesta dramática semana (...), a máquina da Cúria atue normalmente, não obstante o pasmo bem evidente mesmo dentro dos muros vaticanos".
É razoável supor que o cardeal Bertone tenha apressado a nomeação do banqueiro para evitar que a vacância continuasse por pelo menos mais um mês, porque a renúncia do papa causa a paralisia do Vaticano, inclusive nomeações.

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