quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Tio Sam e nós


Igor Gielow

BRASÍLIA - É interessante ver como Barack Obama é quase uma unanimidade no Brasil. Pesquisas davam conta de uma "intenção de voto" ao democrata que lhe garantiria uma vitória aqui muito maior do que a que obteve ano passado em casa.
Claro, há o fator simpatia. Bush era associado a políticas belicistas e tal. Texano branco e bronco, não tem o apelo cosmopolita do negro de nome muçulmano/africano, ainda que Obama tenha passado também pelas forjas da elite americana.
Mas o fato é que o Brasil foi lateral na política externa do primeiro mandato de Obama, talvez pela falta da afinidade anímica que havia entre Bush e Lula, e ainda não há indicações de que isso será alterado.
Houve, sim, uma distensão devido à saída dos antiamericanos mais estridentes de posições centrais do Itamaraty, após a chegada de Dilma em 2011, e a avanços pontuais.
A relação econômica segue firme, mas sem exatamente um salto qualitativo. Obama fez um dos governos mais anticapitalistas recentes, no particular do livre-comércio, e Dilma prefere uma visão setentista de protecionismo a campeões nacionais (para usar o eufemismo vigente).
É possível argumentar, algo folcloricamente, que é bom para o Brasil estar fora do radar de um país que viola diariamente a soberania de outros com o uso de aviões-robôs. Lulistas e dilmistas sempre correm a dizer que os EUA já não nos importam tanto só porque variamos o cardápio da balança comercial.
Erros grosseiros. O Ocidente, para bem e para mal, é liderado por
Washington. Assim, é bom enxugar as lágrimas que derramou pelo discurso docemente progressista (como se "drones" o fossem) da posse de Obama, caro humanista de Facebook.
É muito mais a dinâmica da complexa relação com o Tio Sam, e não os frutos ainda instáveis da relação Sul-Sul ou os ditames mercantilistas de Pequim, que nos molda hoje e no futuro próximo como atores globais.

igor.gielow@uol.com.br

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