quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Governador entrega ofícios inéditos para filha de Rubens Paiva


Papéis são primeira prova documental de que ex-deputado esteve nas dependências do DOI-Codi antes de desaparecer

Ato foi organizado por Tarso Genro em Porto Alegre, onde foram achados os documentos na casa de um militar

DE PORTO ALEGRE

Em um novo capítulo de um dos casos mais simbólicos do regime militar, foi divulgada ontem a ficha de entrada do ex-deputado Rubens Paiva, desaparecido desde 1971, em uma unidade do DOI-Codi do Rio de Janeiro.
Uma das filhas de Paiva, Maria Beatriz, recebeu do governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), o ofício, localizado depois de mais de quatro décadas. O registro estava nos arquivos de um militar assassinado em Porto Alegre no início do mês.
A Polícia Civil gaúcha recolheu documentos na casa de Júlio Miguel Molinas Dias para tentar encontrar pistas dos criminosos. Acabou achando o ofício sobre o ex-deputado e papéis sobre o atentado do Riocentro, em 1981.
Rubens Paiva foi cassado após o golpe de 1964 e foi visto pela última vez ao ser preso em 1971. Até a descoberta dos arquivos de Molinas, não havia prova documental da presença do ex-deputado na unidade militar, somente testemunhos.
A ficha relata os objetos com que Paiva chegou ao DOI-Codi em janeiro de 1971.
Além do ofício, há um manuscrito informando que os pertences do carro do ex-deputado foram retirados por um oficial identificado como "capitão Santabaia".
Tarso promoveu um ato com a presença do coordenador da Comissão da Verdade, Claudio Fonteles, para entregar a ficha à família.
No evento, a filha Maria Beatriz, que na época do desaparecimento tinha dez anos de idade, se emocionou e falou que a revelação não encerra o caso, já que a família não sabe como ele morreu ou onde foi enterrado. "Eu temo pela verdade", disse.
Mais tarde, a jornalistas, ela defendeu um plebiscito sobre a Lei da Anistia, que impede punição por crimes cometidos durante o regime.
Cópias dos papéis do coronel foram repassadas à Comissão da Verdade. O grupo vai analisar o conteúdo, mas ainda não existe prazo para divulgação desses documentos.
O coordenador do colegiado disse que parentes de oficiais militares da época podem entregar esses documentos sem se identificar.

Nenhum comentário: