domingo, 25 de novembro de 2012

Catalães querem se separar, mas permanecer na União Europeia


DO ENVIADO A BARCELONA

Mais que uma Catalunha independente, o que os catalães querem mesmo é o confortável regaço da mãe Europa: pesquisa do instituto Metroscopia, publicada por "El País", mostra uma maioria apenas relativa (46%) a favor da independência, maioria que desaparece quando a hipótese proposta é de a Catalunha independente ficar fora da União Europeia.
Nesse caso, 50% preferem manter a situação atual e apenas 37% ainda insistem na independência.
Por isso, o presidente da Catalunha, Artur Mas, vem tentando vender a ideia de que a Catalunha continuará, sim, na UE mesmo que se torne independente.
Não é verdade: Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, disse em Cádiz, no sábado passado, com toda a firmeza, que qualquer região que se separe de um país-membro do conglomerado europeu passará ao fim da fila no processo de readesão.
Significa tardar no mínimo dez anos para voltar.
O líder catalão Mas confia em um "jeitinho": "A União Europeia encontrará o modo de não perder um dos territórios mais prósperos da Europa, com 7 milhões de pessoa", disse em entrevista ao jornal "La Vanguardia", publicada anteontem.
Enquanto a saída e eventual reentrada na Europa ficam para depois, a conta mais imediata que agita os independentistas é simples, até simplória: uma Catalunha soberana ganharia, de saída, algo em torno de € 16 bilhões (R$ 42,5 bilhões), ou portentosos 8,4% de seu PIB (Produto Interno Bruto).
É a diferença, hoje, entre o que o poder central arrecada na Catalunha e o que devolve à comunidade.
Com esse dinheiro, em tese a nova Catalunha poderia ser menos rigorosa no ajuste orçamentário que já segue, em parte por iniciativa do próprio Mas, em parte por imposição do governo central.
Em contrapartida, uma Catalunha independente teria dívida de 94% do PIB -bem acima dos 79% da Espanha atual, que já tem problemas imensos para se refinanciar.
Além disso, perderia todos os benefícios da associação com a Espanha. "Não consigo ver onde estão os benefícios de trocar um mercado aberto de 47 milhões de consumidores [os espanhóis todos] por outro de 7 milhões [os catalães]", escreve o jornalista Fernando Ónega.
Acrescenta: "A Espanha seria também muito menor sem a rica contribuição catalã". Divórcio, pois, em que ambos perdem.

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