terça-feira, 17 de julho de 2012

México em alta


Editoriais
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Depois de dez anos de crescimento inferior ao dos principais países latino-americanos, o México volta a mostrar dinamismo.
As projeções apontam para uma expansão do PIB próxima a 3,5% neste ano, o que seria apenas uma leve desaceleração em relação à média de 2010-2011.
É um desempenho superior ao do Brasil, cujo crescimento em 2012 é estimado em menos de 2%.
Apesar dos temores de retorno à velha ordem, com a vitória do candidato do Partido Revolucionário Institucional, Enrique Peña Nieto, a sociedade mexicana é hoje mais plural, e a economia, mais aberta que no passado.
Além disso, a plataforma do novo mandatário aponta para reformas estruturais que, se efetivamente concretizadas, poderão inaugurar um capítulo promissor para os próximos anos.
A concorrência de manufaturas chinesas no mercado norte-americano teve grande peso nessa restrição. E os efeitos da crise financeira de 2008 nos EUA também contribuíram para o mau desempenho.
Há sinais, porém, de que essas tendências negativas chegam ao fim. A competitividade mexicana aumenta. Desde 2008, foi o único país, além da China, a ganhar mercado nos EUA em algumas manufaturas leves, aproveitando-se de situações favoráveis, como a desvalorização do peso em relação à média dos últimos dez anos.
Nesse contexto, a indústria mexicana cresceu 4,6% ao ano no primeiro semestre, na comparação com igual período do ano passado. Contrastar essa situação com a do Brasil é inevitável: os custos salariais subiram aqui 10% ao ano no último triênio, e a produção industrial, nos cinco primeiros meses de 2012, ficou 3,5% abaixo da do mesmo intervalo em 2011.
Apesar de deprimido no passado recente, o crédito ao consumo se acelerou no México e já passa de 20% ao ano. O país parece estar prestes a viver uma expansão de financiamento ao consumo similar à experimentada pelo Brasil entre 2006 e 2011.
Por essas razões, muitos investidores voltam seus olhos para a economia mexicana. A bolsa teve alta de 14% neste ano, contra queda de 12% da brasileira.
"Pobre México, tão longe de Deus, tão perto dos EUA" é o clássico chiste sobre as mazelas mexicanas. Nos próximos anos, porém, a proximidade poderá ser vantajosa -considerando que a economia norte-americana costuma mostrar renovado vigor após crises.
Se aliado ao esforço reformista prometido por Enrique Peña Nieto, o quadro tem potencial para alçar o México a um patamar mais alto de desenvolvimento.

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