domingo, 17 de junho de 2012

VERDADE E ARAGUAIA


Elio Gaspari


VERDADE E ARAGUAIA

Na hora em que o Comando do Exército diz de novo que os papéis da ação da tropa no Araguaia foram queimados, saiu o livro "Mata! - O Major Curió e as Guerrilhas no Araguaia", do repórter Leonencio Nossa. Nele está o melhor levantamento já feito sobre o extermínio total e sistemático dos guerrilheiros, praticado depois de outubro de 1973. É uma narrativa capaz de abalar o dia do leitor.
Leonencio colheu depoimentos de 153 pessoas, muitos deles relacionados com a matança. Curió tem um pé na mitomania e alguns detalhes podem ser contestados, mas são minúcias.
"Mata!" descreve o assassinato de 30 militantes do PC do B ou de moradores que se ligaram a eles. Ele confirma a falsidade de três afirmações.
1) Os documentos relacionados com o Araguaia não desapareceram. Queimaram muitos, mas não todos. Leonencio identifica os oficiais que comandaram a matança.
2) O extermínio dos prisioneiros não foi obra de militares indisciplinados. Foi uma decisão de governo, tomada pelos presidentes e ministros do Exército da ocasião.
3) Aquilo não foi uma guerra, foi uma operação para apagar a memória. Em maio de 1945, havia 20 pessoas no bunker de Hitler. Sumiu só uma. No Araguaia eram 49, e sumiram todos.
Aviões lançavam panfletos convidando os fugitivos à rendição. Um deles dizia: "Oferecemos a possibilidade de abandonar a aventura com vida, com tratamento digno e julgamento justo". Mentira.
Quem passar por uma livraria e tiver disposição (muita) pode sapear seis páginas (196 a 202) com a narrativa da captura de Aurea Valadão, de 24 anos, ex-estudante de física da UFRJ, e do camponês Batista.

MISTÉRIO NA HISTÓRIA


O Conselho Editorial da revista "História", da Sociedade de Amigos da Biblioteca Nacional, demitiu-se. Ficou um mistério nos anais da revista.
Continuam na gaveta da redação 24 páginas de uma reportagem de capa dedicada à deposição do presidente João Goulart, preparada para a edição de abril passado.Estavam prontinhas, diagramadas.
Quatro artigos e diversas fotos já haviam sido pagos.
No lugar, entrou uma nova capa, sobre "Heróis ou Mercenários? - Brasileiros que Lutam nas Guerras dos Outros".
Quem conhece a carpintaria de uma revista sabe que 24 páginas editadas não somem com a naturalidade de uma troca de fotografia programada por engano.
O episódio ocorreu pouco depois da encrenca provocada por uma resenha do livro "A Privataria Tucana", expurgada do site da revista.
Seu autor, o jornalista Celso de Castro Barbosa, foi dispensado pela direção da revista e queixou-se do tratamento recebido em duas cartas aos conselheiros. Ninguém respondeu.
Uma coisa é certa, a Sabin nunca se envolveu com o conteúdo da revista e só soube da existência do trabalho mandado à gaveta na hora do paganini das fotos e dos artigos.
INÉPCIA
Pergunta para o cônsul americano em São Paulo, doutor William Popp:
Se sumirem centenas de passaportes de cidadãos americanos que solicitam vistos de entrada em Pindorama ao consulado brasileiro em Nova York, o FBI deve ser avisado?
Sob sua jurisdição, sumiram, há mais de um mês, cerca de 700 passaportes de brasileiros. Ele não avisou à Polícia Federal.

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