sexta-feira, 15 de junho de 2012

Cineasta Carlos Reichenbach morre em São Paulo aos 67 anos


Diretor de 'A Ilha dos Prazeres Proibidos' e 'Alma Corsária', teve o auge da carreira nos anos 70

Reconhecido pelos principais festivais do país, Carlão, como era chamado, morreu no dia de seu aniversário

Ana Rojas - 9.dez.05/Folhapress
Carlos Reichenbach, morto ontem, aos 67
Carlos Reichenbach, morto ontem, aos 67

RODRIGO SALEM
DE SÃO PAULO


O cineasta Carlos Reichenbach morreu em São Paulo na tarde de ontem, dia em que completava 67 anos.
Diretor de 22 filmes, como "Anjos do Arrabalde" (1986) e "Alma Corsária" (1993), Reichenbach teria sofrido um infarto. Ele descansava em casa quando passou mal e chegou morto à Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, na Vila Buarque (região central).
Nascido em Porto Alegre, Reichenbach mudou-se aos quatro meses de idade para São Paulo, terra de seu pai, também chamado Carlos.
Incentivador do cinema nacional e um cinéfilo antes de tudo, ele participou dos movimentos da Boca do Lixo e do cinema marginal.
Misturando sensualidade e nudez a gêneros pouco usuais no Brasil, como o suspense, Carlão, como era conhecido, teve seu maior sucesso comercial com "A Ilha dos Prazeres Proibidos" (1978).
O thriller sobre uma assassina (Neide Ribeiro) foi realizado em três semanas e atraiu mais de 4 milhões de espectadores no Brasil e outros países da América do Sul.
Reichenbach sempre quis fazer filmes comerciais, apesar de "Falsa Loura", seu último longa, de 2007, ter passado despercebido. O desempenho da obra decepcionou o diretor, que considerava o filme protagonizado por Rosane Mulholland o seu mais popular desde os anos 1980.
Ex-professor de cinema da Escola de Comunicações e Artes da USP, Reichenbach era sócio da produtora Dezenove Som e Imagens e um de seus principais prazeres era apresentar a Sessão do Comodoro no CineSesc, exibindo filmes raros e inéditos no circuito, a maioria de horror.
O cineasta foi um dos homenageados do Festival de Roterdã (Holanda), em fevereiro deste ano.
O evento, que já fizera uma mostra especial com diversos de seus filmes na década de 80, exibiu uma cópia restaurada de "Lilian M. - Relatório Confidencial" (1975), sobre uma mulher que abandona a família no interior para tentar a vida em São Paulo.
Em 2010, a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo também havia rendido homenagem ao cineasta, que ganhou vários prêmios, como o Kikito de direção em Gramado por "Filme Demência", em 1986, e o Candango de melhor filme no Festival de Brasília por "Alma Corsária", em 1993.
"Trabalhei com ele no filme 'Garotas do ABC'. Foi um encontro mágico", lembra o ator Milhem Cortaz ("Tropa de Elite").
"Conheci o Carlão quando frequentava o cineclube da GV (Fundação Getúlio Vargas). O que havia de mais empolgante nele era sua paixão pelo cinema", diz André Sturm, diretor do Museu da Imagem e do Som (MIS).
Casado com Lygia Reichenbach, deixa três filhos e uma neta. O velório seria realizado no MIS, na noite de ontem.

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