terça-feira, 26 de junho de 2012

Brasiguaios comemoram impeachment


ESTELITA HASS CARAZZAI
DE CURITIBA


Agricultores brasileiros que vivem no Paraguai afirmam ter vivido uma época de "terror" sob o governo de Fernando Lugo, a quem acusam de ter estimulado invasões de suas áreas por sem-terra.
Os brasiguaios -comunidade de 350 mil brasileiros residentes no Paraguai- dizem ter sido perseguidos durante a gestão Lugo e têm comemorado a posse do novo presidente, Federico Franco.
"A expectativa está de mil para mais", diz o paranaense Adir Lui, 44, produtor rural em Santa Rita (a 70 km da fronteira com o Brasil).
Lugo sempre negou incitar invasões, que contudo avançaram sob seu governo. Em 2011, a Justiça paraguaia anulou títulos de terra de brasiguaios, e, neste ano, milhares de sem-terra invadiram fazendas de brasileiros apontando grilagem (posse ilegal).
"Quando tínhamos todos aqueles problemas [de invasões de terras], por que não vieram nos defender?", questiona o brasiguaio Jackson Bressan, 39, produtor radicado no Paraguai há 36 anos, em referência a governos que criticaram o impeachment.
Cerca de cem brasiguaios estiveram anteontem com o cônsul-geral do Brasil em Ciudad del Este, Flávio Bonzanini, pedindo que o governo brasileiro reconheça o novo governo do Paraguai.
A carta entregue a Bonzanini destaca que a destituição de Lugo se deu "com total transparência" e por meio de processo contemplado na Constituição paraguaia.
Os brasiguaios também dizem temer prejuízos caso a suspensão do Paraguai do Mercosul se mantenha.
Essencialmente agrícola, o país depende de importações de insumos e equipamentos do Brasil e da Argentina.
Após a destituição de Lugo, brasiguaios consultados pela Folha foram unânimes em dizer que o clima no país é "tranquilo e sereno", e que a expectativa é que as invasões diminuam com Franco.
Apesar das boas expectativas, jornais paraguaios noticiaram ontem a primeira invasão de terras durante o governo Franco -a de uma fazenda de brasiguaios, segundo o "Ultima Hora".

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