quarta-feira, 2 de maio de 2012

Bolívia expropria empresa espanhola

Evo Morales segue exemplo da argentina Cristina Kirchner e decide nacionalizar companhia de capital espanhol de eletricidade

LA PAZ - O Estado de S.Paulo

O presidente Evo Morales anunciou ontem que seu governo está concluindo a nacionalização do setor de eletricidade da Bolívia assumindo o controle da principal rede de energia que pertencia a uma empresa espanhola.

Morales aproveitou o simbolismo do 1.º de Maio, o dia internacional do trabalho, para ordenar às tropas que ocupassem as instalações da companhia Transportadora de Electricidad, uma subsidiária da espanhola Red Electrica Corporación S.A. "Estamos nacionalizando a Transportadora de Electricidad em nome do povo boliviano como uma merecida homenagem aos trabalhadores que lutaram pela recuperação dos nossos recursos naturais e serviços básicos", disse Morales durante cerimônia no palácio presidencial.
A decisão de Morales ocorre pouco depois de a vizinha Argentina assumir o controle da companhia petrolífera YPF, que pertencia a espanhola Repsol SA.
Soldados bolivianos invadiram pacificamente ontem os escritórios da companhia Transportadora de Electricidad na cidade de Cochabamba, pendurando a bandeira da Bolívia na entrada do edifício. A Red Electrica era dona de 74% da rede de transmissão elétrica de Bolívia, ou 2.772 quilômetros de linhas de alta voltagem.
O embaixador da Espanha na Bolívia, Ramon Santos, disse que medidas como essa "geram insegurança jurídica". Morales não informou o montante da indenização a ser pago, mas o decreto de nacionalização prevê a negociação de uma indenização.
Um dos motivos da nacionalização, segundo o governo boliviano, seria o baixo investimento da empresa espanhola no país. Morales disse que, depois da privatização em 1997, foram gastos na rede US$ 81 milhões. Ele afirmou ainda que o governo "investiu US$ 220 milhões em geração e outros lucraram".
O presidente boliviano costuma aproveitar a data do 1.º de maio para anunciar nacionalizações de empresas. Há dois anos, o governo assumia o controle da maior parte da geração de eletricidade da Bolívia, nacionalizando as principais usinas hidrelétricas. Sob Morales, o primeiro presidente indígena da Bolívia, o governo colocou energia, água e telecomunicações sob o controle estatal.
Em seu primeiro ano no cargo, em 2006, Morales anunciou a nacionalização do setor de petróleo e gás, atingindo diretamente a brasileira Petrobrás.
As nacionalizações não pouparam a Morales amplas críticas dos bolivianos preocupados com a inflação e com a queda da produção interna de petróleo. O índice de aprovação do presidente caiu de 69% quando começou o segundo mandato em janeiro de 2010, para cerca de 40%. /AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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