domingo, 8 de abril de 2012

1991 - 'Diga Tlatelolco' - Fernando Collor e George H. Bush

DO RIO
DE SÃO PAULO
Fernando Collor (1990-92) é saudado em Washington por George Bush (1989-93) como um "líder moderno", um Indiana Jones da nova ordem internacional.
Collor tinha adotado medidas de abertura comercial, além de encerrar atividades secretas do programa nuclear brasileiro. Em antecipação à Eco-92, no Rio, seu governo anunciou medidas ambientais que atraíram a atenção de ONGs americanas.
Troca de dívida por projetos sustentáveis, proibição de subsídios para a agropecuária na Amazônia -as propostas divulgadas no Brasil eram tantas que a embaixada em Washington pediu para saber o que era verdade.
Bush pressionava o Brasil a submeter as instalações nucleares à Agência Internacional de Energia Atômica, e para isso foi negociada uma emenda ao Tratado de Tlatelolco, que bane armas nucleares na América Latina.
Ele telefona a Collor para "reiterar a importância de Tlatelolco". O brasileiro, segundo transcrição americana, fica em dúvida: "O quê?". Bush repete: "Tlatelolco".
Depois, na conversa na Casa Branca, Collor diz que "mais difícil do que pronunciar Tlatelolco é entendê-lo", dado que um artigo do tratado permite explosões nucleares "para fins pacíficos".
O brasileiro fala dos "tremendos sacrifícios" do país para reduzir o deficit orçamentário e voltar a pagar a dívida externa, depois da moratória da década de 80.
"Queremos explorar a possibilidade de novos investimentos. Temos que crescer de novo. O desemprego é enorme. Estamos sofrendo uma recessão", apela.

Nenhum comentário: