domingo, 8 de abril de 2012

1960 - 'Infatigáveis comunistas' - Juscelino Kubitschek e Dwight Eisenhower

DO RIO
DE SÃO PAULO
De carona no avião Columbine III, entre São Paulo e Rio, Juscelino Kubitschek (1956-61) ofereceu mediação entre EUA e Cuba. "Qualquer coisa que nações latino-americanas pudessem fazer para trazer Castro a um estado de espírito mais ameno seria de ajuda", responde Dwight Eisenhower (1953-61).
A irmã de Fidel se refugiara na embaixada brasileira durante o regime de Fulgêncio Batista. O Brasil "estava em situação boa para falar com Castro", disse JK, segundo resumo americano da conversa. Ele "concordava que [Fidel] era um problema para todas as Américas".
As relações bilaterais estavam "frias", admitem os americanos. JK rompera com o FMI em 1959 (Eisenhower o convenceu a reatar) e os EUA receberam mal sua Operação Panamericana (OPA), que tentava comprometê-los com a industrialização dos vizinhos ao sul do Rio Grande.
Para Washington, a viagem é um "impulso psicológico necessário" à relação. Afinal, o governo brasileiro "continua na crença de que o Brasil em breve se tornará uma grande potência e tem de ser consultado pelos EUA em políticas importantes".
Em visita aos EUA em 1956, JK já tinha pedido apoio a seu Plano de Metas e fez tudo para negar que devesse sua eleição ao Partido Comunista.
Um telegrama da embaixada brasileira relata reunião com autoridades dos EUA, incluindo o diretor da CIA Frank Wisner. JK reclama que os "comunistas são infatigáveis" e oferece trocar informações sobre a "infiltração subversiva".
Em 1960, os presidentes trocam elogios. JK diz que o americano era "um dos dois maiores homens do século" (o outro sendo Winston Churchill), um "paladino da liberdade". Eisenhower, que a construção de Brasília era "inspiração para o mundo".
"Os brasileiros receberiam bem o capital estrangeiro", diz JK, que entrega ao colega um memorando com as propostas da OPA, incluindo preços mínimos para produtos primários e a criação de um órgão hemisférico de apoio técnico à indústria.
Em 1962, em Washington, João Goulart (1961-64) fez pedidos semelhantes a John Kennedy, mas os EUA já apostavam na sua derrubada.

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