domingo, 8 de abril de 2012

1943 - 'Rendição incondicional' - Getúlio Vargas e Franklin Roosevelt

DO RIO
DE SÃO PAULO
No dia 27 de janeiro de 1943, um telegrama do embaixador em Washington Carlos Martins resume o objetivo de Franklin Delano Roosevelt e Winston Churchill na conferência de Casablanca: a "rendição incondicional" do Eixo nazifascista.
No dia seguinte, sem aviso público, Getúlio Vargas (1930-45) chega a Natal, onde já funcionava uma base americana, para um encontro com Roosevelt (1933-45). Oferece "cooperação completa" e acerta apoio à criação da Força Aérea Brasileira, que enviaria soldados à Europa dois anos depois.
Em 1942, Vargas havia saído da posição dúbia entre os Aliados e o Eixo, numa grande barganha com Washington. O acordo garantia fundos americanos para a construção da Companhia Siderúrgica Nacional e a compra de armamentos. Em troca, os EUA tinham a base no Nordeste e o fornecimento de minerais estratégicos.
No esforço de guerra, houve atraso nos equipamentos para a usina de Volta Redonda. Em outubro de 1942, um ofício a Martins pede-lhe que pergunte aos americanos se a "prioridade perdeu significação". Três meses depois, o secretário de Estado Dean Acheson promete indicar um funcionário no War Production Board só para cuidar do assunto.
A aliança com os EUA isola os simpatizantes do fascismo no governo e apressa o fim da ditadura de Vargas. Mas ele não tinha decretado o Estado Novo quando Roosevelt veio pela primeira vez ao Brasil, em 1936.
Na Política da Boa Vizinhança, que prometia a não intervenção nos vizinhos, o americano disse que "duas pessoas", ele e Vargas, inventaram o New Deal.
Ele ficou hospedado num palacete da família Guinle no Rio, e depois mandou gorjetas para os 39 empregados. O chanceler Mário de Pimentel Brandão enviou telegrama ao chefe de polícia, Felinto Müller, pedindo censura a jornais críticos à hospedagem.

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