quinta-feira, 15 de março de 2012

Fé e educação

Kenneth Maxwell

Existe um velho padrão na política dos Estados Unidos. Richard Hofstadter foi professor de História na Universidade Columbia. Era um intelectual engajado e conhecido e escreveu duas obras importantes: "Anti-intelectualismo nos Estados Unidos" (1963) e "The Paranoid Style in American Politics" (1964).
Nesses livros, ele conectava o populismo antissemita dos anos 1890 à demagogia anticomunista do senador Joseph McCarthy no começo dos anos 50.
O nome de Hofstadter não é muito lembrado. Ele morreu aos 54 anos, em 1970. Tendo sofrido discriminação antissemita nos anos 40, tornou-se defensor apaixonado dos valores progressistas.
Nos anos finais de sua vida, era conhecido por sua firme oposição aos universitários radicais da Universidade Columbia, em 1968.
As universidades norte-americanas são amplamente reconhecidas hoje como as melhores do mundo. Harvard, Yale, Princeton e Stanford estão sempre entre as instituições mais bem classificadas de ensino superior.
É muito estranho, portanto, que os dois principais candidatos à indicação republicana para enfrentar o presidente Barack Obama na eleição presidencial de novembro, o ex-senador Rick Santorum e o ex-governador Mitt Romney, tenham escolhido atacar a educação universitária norte-americana.
Santorum chamou Obama de "esnobe" por advogar uma expansão no número de matriculados no ensino superior. Santorum definiu as universidades como "usinas de doutrinação" que "destroem a fé religiosa". Romney, tentando não ficar para trás, instou os universitários a "não esperar que o governo perdoe as dívidas que vocês assumirem". Ele os aconselhou a "não tentarem se matricular nas universidades de maior preço".
São opiniões compatíveis com as expressas pelos conservadores sociais e pelos cristãos evangélicos, dois componentes importantes da base do Partido Republicano. Mas existem poucas provas em apoio a esse tipo de afirmação. É verdade que, entre os cientistas dos Estados Unidos, há nove democratas para cada republicano.
Entretanto estudos recentes com as faixas etárias jovens não constataram diferenças quanto à maior parte dos indicadores de identidade, práticas religiosas e crenças entre os universitários e os que não fazem curso superior.
Os universitários não abandonam sua fé em razão da influência de professores universitários "ímpios".
Mas, como Hofstadter demonstrou muito tempo atrás, a política tem pouco em comum com os fatos.

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