sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Torcidas jogaram papel invisível na revolução que derrubou ditador

SAMY ADGHIRNI
DE TEERÃ


Há um ano, no auge dos protestos que levaram à queda de Hosni Mubarak, a praça Tahrir, no Cairo, era um mar de gente de todos os tipos, idades e classes sociais.
Num país onde política e futebol sempre andaram juntos, era curioso constatar a ausência em larga escala de símbolos visíveis dos grandes clubes da primeira divisão, todos com alguma conotação partidária ou ideológica.
O máximo que este repórter viu, em duas semanas cobrindo a revolta, eram esparsos jovens usando bonés e abrigos de times nacionais para se proteger do frio.
Mas, por trás da realidade aparente, as torcidas organizadas atuavam como uma das principais forças motoras da revolução nacional.
Boa parte da linha de frente dos combatentes oposicionistas era formada por torcedores dos grandes clubes.
Os ultras, como são chamadas as facções radicais das principais torcidas, constituíam uma força de milhares (a maioria homens e jovens) habituados, por frequentar estádios de futebol, a um ambiente de tensão urbana.
Os mais engajados eram os torcedores do Al Ahly (em árabe, o Nacional), time mais popular da capital, surgido no início do século 20 como resistência aos britânicos e que até hoje leva a cor vermelha da bandeira pré-colonial. Grande parte de sua torcida sempre foi abertamente anti-Mubarak.
Além de ser o clube mais politizado, o Al Ahly tem a maior torcida e a maior galeria de troféus. Em busca do denominador comum possível, esportivo mas também político, os clubes e torcidas evitaram os símbolos visíveis e os cantos de arquibancada.
Mas bastava puxar conversa sobre futebol para ouvir dos manifestantes declarações de amor aos times.

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