quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

De volta à ativa

Kenneth Maxwell

Estamos de volta à ativa, contudo na frente internacional as notícias nada têm de animadoras.
A zona do euro terminou por montar um segundo resgate à Grécia. O pacote aparentemente vale € 130 bilhões, cerca de € 20 mil por cidadão grego. Os bancos, fundos de hedge e seguradoras terão de aceitar prejuízos de 53%. É duvidoso que porção substancial desse dinheiro chegue ao povo grego. A maior parte dele será reciclada para pagar juros sobre passados empréstimos.
Tampouco está claro que Alemanha, Finlândia e Holanda aceitarão o acordo. Como tampouco está claro que a crise do euro tenha acabado. A ameaça de contágio continua para outros países europeus endividados, como Portugal.
A França está no meio de uma campanha presidencial, e Nicolas Sarkozy bem pode sair derrotado. A Alemanha se tornou, na prática, o relutante banco de último recurso para a zona do euro.
No Oriente Médio, o cenário é sombrio. O Egito enfrentará momentos difíceis nos próximos meses, no confronto entre as aspirações democráticas e as Forças Armadas -que continuam aferradas ao poder e temerosas de perder os privilégios especiais de que há muito desfrutam.
Na Líbia, um governo central fraco encara desafio continuado por parte de milícias armadas. O país tem, pelo menos, a vantagem de dispor de recursos naturais. Já a Síria é um caso diferente. Com as vacilações internacionais e as divisões no Conselho de Segurança da ONU, o regime de Assad mantém seu sangrento, violento e infatigável ataque contra inimigos internos.
No Bahrein, os distúrbios civis retornaram. A monarquia muçulmana sunita, com apoio militar da Arábia Saudita, está enfrentando a ira de uma população majoritariamente xiita. Mas os EUA, que têm sua Quinta Frota baseada no Bahrein, vêm demonstrando pouco entusiasmo no apoio à democracia, e, de qualquer modo, estão concentrados no programa nuclear iraniano e nas ameaças do Irã ao trânsito de petroleiros pelo estreito de Ormuz, um gargalo marítimo vulnerável. Ironicamente, esses petroleiros transportam petróleo que é vital para a China e a Índia.
Israel acredita que a janela de oportunidade para um ataque militar preventivo contra o Irã esteja se fechando rapidamente. Mas a última coisa que Obama precisa em um ano de eleição presidencial nos EUA é de um novo confronto militar no golfo Pérsico. Ele está tentando conter Israel, mas é improvável que o premiê israelense Netanyahu atenda aos pedidos de Obama caso acredite, o que pode ser verdade, que a sobrevivência de Israel está em jogo.
Talvez o Carnaval tenha acabado cedo demais.

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