quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

União Europeia embargará 50% do petróleo do Irã

Sanções aprovadas na segunda incluem veto a negócios de empresas europeias com regime persa

Jamil Chade, correspondente

GENEBRA - As sanções da União Europeia ao Irã, apoiadas pelos Estados Unidos, pretendem afetar metade das exportações do petróleo iraniano e fechar um cerco que isolará o país de qualquer relação com seus parceiros econômicos mais importantes. O regime persa respondeu à pressão convocando o embaixador da Dinamarca, país que preside a UE, para dar explicações, enquanto líderes europeus subiram o tom da retórica contra Teerã.
Detalhes divulgados nesta terça-feira, 24, sobre o embargo da UE aprovado na segunda-feira indicam que a retaliação é profunda. Qualquer empresa europeia que comercializar petróleo iraniano, mesmo que para um terceiro país, poderá ser punida.
Diplomatas em Bruxelas dizem que a meta do plano é afetar metade da arrecadação do Irã com o combustível por meio de uma "ação global". Além dos 400 mil barris que os países da UE importam de petróleo iraniano diariamente, a medida afetará mais 600 mil barris que empresas europeias comercializam pelo mundo. Segundo a agência de risco, Fitch, a tensão deve elevar os preços do barril.
Só a Shell tem contratos de mais de 100 mil barris por dia com o Irã e terá de suspender a operação. No caso da francesa Total, apenas um terço do petróleo importado por ela de Teerã vai a portos europeus. Ontem, a Austrália confirmou que também vai adotar as sanções contra o petróleo iraniano.
Estrangulamento
O cerco contra Teerã também inclui medidas comerciais para isolar o país. O último banco que ainda financiava exportações e importações iranianas ao mercado europeu, o Tejarat, entrou ontem na lista das onze entidades embargadas pela UE. A Europa é o maior parceiro comercial do Irã e, com a medida, a capacidade de Teerã de obter máquinas e peças para suas fábricas será afetada. O prejuízo é calculado em US$ 30 bilhões.
O Tejarat também foi alvo do governo dos Estados Unidos. Washington o acusa de ser o financiador da compra de urânio pelo Irã e a instituição que manobrava o pagamento para empresas e outros bancos já sob embargo. Com duas mil agências pelo Irã e escritório em Paris, o banco teve todos seus ativos confiscados na Europa.
A ofensiva incluiu também o embargo a cinco empresas de transporte marítimo com sede em Malta e na Alemanha de propriedade de Guarda Revolucionária. No total, são 433 empresas iranianas afetadas, além do Banco Central iraniano.
A cúpula do regime persa aposta que o embargo europeu nem mesmo entrará em vigor e, mesmo se isso ocorrer, o impacto será pequeno. Para o ministro de Inteligência, Heydar Moslehi, as sanções são "ineficientes" e o prazo até julho estabelecido pelos europeus será suficiente para o Irã encontrar novos compradores.
Retórica
Enquanto a ofensiva para asfixiar financeiramente o país continuava, o tom das ameaças iranianas voltou a subir ontem. Emad Hosseini, porta-voz do Comitê de Energia do Parlamento, ameaçou outra vez fechar o estreito de Ormuz, por onde passam 40% do petróleo mundial a cada dia. Em protesto ao embargo, o governo iraniano convocou o embaixador dinamarquês em Teerã para prestar esclarecimentos.
Em Londres, o secretário de Defesa, Philip Hammond, insinuou que o Grã-Bretanha poderia reforçar sua presença militar se as ameaças de Teerã continuassem. "Temos a capacidade de reforçar essa presença", disse. Em uma declaração conjunta, David Cameron, Nicolas Sarkozy e Angela Merkel, alertaram que o Irã havia optado por um caminho de ameaças à paz. "Nossa mensagem é clara. A liderança iraniana fracassou em garantir a confiança internacional de que seu programa nuclear é para fins pacíficos", afirmaram os três líderes.

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