quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Terror pelo terror

Ruy Castro

RIO DE JANEIRO - Até há pouco, todo fim de ano os franceses se divertiam incendiando carros na rua. A média era de mil carros ardendo na França por Réveillon. Mas, em 2011 e no ano anterior, os franceses descobriram outras formas de queimar a libido, ou então as agências de notícias não acharam expressivo o número de carros pegando fogo. A vez agora é da Califórnia.
De sexta a segunda-feira, em Los Angeles, as chamas engoliram pelo menos 55 carros nas ruas ou em garagens, neste caso levando junto a casa ou o prédio em cima delas. Ninguém morreu ainda, mas o clima é de sobressalto. A cada sirene dos bombeiros, voo rasante dos helicópteros da polícia sobre a cena do crime e carros das televisões chegando com espalhafato, as pessoas temem que, dessa vez, seja com elas.
A polícia continua no escuro quanto aos responsáveis. Pode ser um incendiário isolado ou uma quadrilha, e pode ser alguém que começou a onda e apenas recebeu adesões. Não há também um padrão -o alvo é todo tipo de carro, a qualquer hora do dia e em qualquer lugar. Curioso é que, numa época de tanta vigilância, com as ruas de qualquer cidade infestadas de câmeras, a polícia de Los Angeles esteja sempre chegando depois do fato.
E há o motivo ou a falta de. Exceto pelos espertos, que podem estar aproveitando para botar fogo no próprio carro e receber o seguro, não parece haver uma causa por trás dos incêndios. Ninguém assume os sinistros e deixa manifestos anti-Obama, pró-islã ou de qualquer natureza. Parece o terror pelo terror, talvez até com objetivos estéticos -há algo mais pungente que uma coluna de fogo?
No Brasil, passageiros revoltados costumam queimar ônibus para protestar contra o tratamento que recebem das empresas de transporte.
Os meios estão errados, mas, para eles, há um fim.

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