quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Novo destino

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Em tempos de crescimento econômico, Brasil volta a ser atraente para estrangeiros e precisa preparar-se para o aumento da imigração

Os brasileiros gostam de ser apresentados ao mundo como um povo hospitaleiro, que soube acolher os imigrantes, em especial na passagem do século 19 para o 20, quando famílias oriundas de países europeus aqui chegaram para tentar a sorte.
Embora em parte essa hospitalidade seja um mito, é fato que na sociedade brasileira a convivência entre etnias e religiões diferentes mostra-se menos conflituosa do que em outras nações.
Aos poucos, no entanto, o Brasil foi deixando de ser um destino procurado por estrangeiros. Em 1940, ano do primeiro grande Censo do IBGE, a população do país abrigava 3% de imigrantes. Já em 2010, a proporção era de apenas 0,2% de estrangeiros.
As estatísticas oficiais, no entanto, ainda não captam movimentos que tendem a se intensificar nos próximos anos, caso a expansão econômica do país continue a ser atraente para cidadãos de nações com menos oportunidades.
Um dos muitos sinais dessa tendência é o recente desembarque de haitianos na região Norte -que levou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a anunciar, ontem, uma série de medidas de controle.
No ano passado, o Ministério da Justiça, apesar da burocracia para obter um visto, registrou alta de 52% no número de estrangeiros regularizados. Entre eles, muitos são profissionais qualificados, que se beneficiam do deficit de especialistas em áreas como a engenharia, por exemplo -e ajudam a tornar o Brasil ainda mais atraente.
Além desses movimentos mais recentes, é preciso considerar o cenário de longo prazo. Em 50 anos, a população brasileira saiu de um regime de fecundidade semelhante ao da Somália de hoje (6,3 filhos por mulher), para um patamar equivalente ao da Finlândia (1,9).
Somado ao aumento da expectativa de vida, isso significa que haverá cada vez menos jovens para sustentar uma população crescente de idosos.
Como aconteceu na Europa, a perspectiva é que esse hiato atraia cada vez mais trabalhadores dispostos a exercer atividades já não tão interessantes para brasileiros.
O país sempre reagiu com a devida indignação ao tratamento muitas vezes discriminatório dispensado a seus cidadãos nos Estados Unidos e na Europa.
Agora, é a vez de o governo começar a agir para mostrar que é capaz de fazer o que se cobra das autoridades de nações desenvolvidas. No leque de políticas públicas, começará a ganhar mais destaque o debate sobre prioridades e medidas no campo da imigração.
O Brasil precisa preparar-se para recepcionar de modo adequado as novas ondas de imigrantes, equacionar conflitos e aproveitar ao máximo a oportunidade de impulsionar o desenvolvimento econômico e social do país.

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