domingo, 15 de janeiro de 2012

Mulher com nível superior fica mais solteira que homem

Pesquisa mostra que o número de mulheres universitárias "livres" supera em 54% o de homens



Nos demais grupos de instrução, diferença não passa de 10%, segundo as contas feitas na Pnad, do IBGE

ANTONIO GOIS
DO RIO
LUIZA BANDEIRA
DE SÃO PAULO


O mercado matrimonial não está nada favorável para as mulheres de alta escolaridade. Ao menos para aquelas que não abrem mão do casamento e insistem em procurar apenas homens de mesmo nível de instrução.
Tabulações feitas a pedido da Folha pelos demógrafos Suzana Cavenaghi e José Eustáquio Alves, da Ence (Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE), mostram que o número de mulheres com nível superior "livres" supera em 54% o de homens na mesma situação.
São 800 mil mulheres a mais solteiras, viúvas ou separadas e que não vivem com um cônjuge. Nos demais grupos de instrução, a diferença não passa de 10%, segundo as contas feitas na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 2009, do IBGE.
As mulheres, neste caso, sentem a consequência de seu sucesso, por terem avançado mais do que os homens nos últimos 30 anos na educação. Em 1981, a população adulta masculina com formação universitária era 35% maior. Mas, ao final da década passada, elas já os superavam em 27%.
Segundo Eduardo Rios Neto, demógrafo do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da UFMG, essa reversão do hiato educacional já afeta o mercado de casamento, pondo em xeque o modelo tradicional de mulher casando com homem de instrução maior ou igual.
De fato, estudo feito por Aretha Lopez Soares, da Ence, mostra que hoje já é mais comum encontrar casais em que a mulher é mais escolarizada do que o inverso. No caso das com formação universitária, 52% já vivem com um cônjuge menos instruído.
"Em muitos países da Europa, casar não é tão fundamental. A mulher pode investir na carreira e não se sentir infeliz por ser solteira. Mas, no Brasil, não ter marido ainda é visto como fracasso social", afirma a antropóloga Mirian Goldenberg.
Ela diz que há o agravante de as mulheres terem sido culturalmente educadas a procurar um parceiro mais velho, rico e instruído.
"Para aquelas que chegaram ao topo, não adianta olhar só para cima. Se o casamento for tão importante, terão que olhar também para baixo", diz a antropóloga.
Para a terapeuta de família Tai Castilho, escolaridade diferente pode ser um elemento de tensão. Isso porque alguns homens lidam mal com o fato de não serem o principal provedor da casa, enquanto as mulheres que se qualificam ganham mais autonomia e tendem a aceitar menos um papel submisso.

Nenhum comentário: