sábado, 28 de janeiro de 2012

Irã votará lei que bloqueia venda de petróleo para UE

Parlamento analisa projeto que afetaria a economia da Europa ao proibir imediatamente o fornecimento do produto para o bloco

JAMIL CHADE
CORRESPONDENTE / GENEBRA

O Irã deve votar amanhã uma lei que proíbe imediatamente a exportação de petróleo para a Europa. A medida seria a resposta iraniana ao embargo do produto aprovado pela União Europeia, na segunda-feira. O bloco tem até julho para interromper totalmente a importação, tempo que seria usado para buscar novos fornecedores. Teerã, porém, acredita que a interrupção brusca deixaria a UE sem combustível e agravaria a crise do bloco.

"Estamos agindo com urgência", disse ontem à agência Fars Hossein Ibrahimi, membro do Comitê de Segurança Nacional do Parlamento do Irã. "Queremos cortar as exportações para a Europa já na próxima semana." Para Seyyed Hosseini, porta-voz da Comissão de Energia do Parlamento, a Europa não ficará imune à alta nos preços. "O Irã tem a terceira maior reserva do mundo e não pode ser eliminado da questão da energia global."

Ontem, o preço do barril do petróleo voltou a subir e executivos de multinacionais já admitem que o grande ganhador será a China, que passará a comprar o produto a preços mais baixos. A Europa é o segundo maior destino do petróleo iraniano e aprovou o embargo para pressionar o Irã a negociar uma solução para seu programa nuclear. Em 2010, Teerã vendeu US$ 73 bilhões em petróleo, 80% das exportações do país.

No entanto, para Hosseini, o Parlamento iraniano tem o poder de "paralisar" a economia de Itália, Espanha e Grécia. "As sanções só afetarão a UE", disse. Os europeus alegam que a tentativa de asfixiar o Irã vem dando resultado. A moeda local já perdeu 30% de seu valor em um mês e as taxas de juros subiram de 15% para 21%.

Em Davos, na Suíça, os sauditas garantiram que estão prontos para substituir o Irã e fornecer petróleo para a Europa. Os próprios sauditas, contudo, admitem que o Irã não sofrerá com as sanções a menos que o embargo seja mundial. Entre os maiores executivos do setor, não há dúvidas de que o petróleo iraniano acabará abastecendo a China - e por um preço mais baixo. "Nada vai mudar. Acho que esse petróleo irá para outro lugar", disse Christopher de Margerie, CEO da francesa Total.

José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobrás - que será substituído por Maria das Graças Foster - também acredita que os países da Ásia sejam os beneficiados. "Estou certo de que Moscou está observando a situação com muito interesse", disse Gabrielli em Davos.

Arkadi Dvorkovich, conselheiro do Kremlin, admitiu que a Rússia tende a ganhar com o embargo europeu ao petróleo iraniano em razão da venda de gás para a Europa e da possibilidade de obter petróleo iraniano a preços mais baixos.

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