terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Europa impõe embargo a petróleo do Irã

Países do bloco também vetam transações com Banco Central iraniano; sanções vigorarão totalmente em seis meses



Objetivo é pressionar Teerã pelo fim de seu programa nuclear; medo de Irã retaliar faz preço de petróleo subir

Atta Kenare/France Presse
Iraniana faz compras no bazar Tajrish, em Teerã; país está sob pressão ocidental para abandonar programa nuclear
Iraniana faz compras no bazar Tajrish, em Teerã; país está sob pressão ocidental para abandonar programa nuclear


SAMY ADGHIRNI
DE TEERÃ


A UE (União Europeia) baniu ontem importações de petróleo do Irã e transações com o Banco Central de Teerã, aumentando a pressão do Ocidente pelo fim do programa nuclear iraniano.
Chanceleres dos 27 países do bloco adotaram as novas sanções em encontro em Bruxelas, três semanas após os EUA aplicarem medidas semelhantes, que visam paralisar a economia iraniana.
Apesar de só entrarem totalmente em vigor dentro de seis meses, as sanções aumentam a tensão entre Irã e potências ocidentais.
Teerã rejeitou novamente acusações de que busca fabricar a bomba atômica e insistiu em que sanções nunca o impedirão de enriquecer urânio para fins civis.
As punições, que agravam as já adversas condições de vida da população, levaram influentes políticos iranianos a ameaçar agir para desestabilizar o mercado de petróleo.
Mohammed Kossari, vice-presidente do Comitê de Assuntos Exteriores e Segurança Nacional do Parlamento, pediu o "fechamento definitivo" do estreito de Hormuz, no golfo Pérsico, por onde é escoado um sexto da produção global de petróleo.
Os Estados Unidos deixaram claro que usarão força militar para impedir que o Irã cumpra essa ameaça.
A perspectiva de um possível desabastecimento causado por um conflito naval no golfo Pérsico voltou a elevar o preço do petróleo.
O barril subiu US$ 1,51 ontem em Nova York, atingindo US$ 99,84. O petróleo tipo Brent, usado para fixar o valor de variedades importadas por refinarias americanas, aumentou US$ 0,94, atingindo US$ 110,80 em Londres.
Já Ali Fallahian, membro da Assembleia dos Peritos, órgão que escolhe o líder supremo, sugeriu interromper imediatamente as vendas de petróleo à UE.
Grécia e Itália, entre outros, atravessam grave crise econômica e dependem do petróleo iraniano. Atendendo a pedido dos membros em dificuldade, a UE deu até julho para que encontrem fornecedores alternativos.
Nesse período, também poderão ser executados contratos já assinados entre europeus e iranianos.
Quando implementadas, as sanções impedirão qualquer compra de petróleo iraniano na UE, assim como remessas que transitem pelo sistema bancário iraniano.
EUA e europeus pressionam países asiáticos a seguir o embargo.
Antecipando a queda de entrada de dólares e euros no país, a, moeda iraniana desvalorizou-se em 10% ontem.
As medidas surgem seis dias antes da chegada a Teerã de uma equipe de inspetores nucleares da ONU que, segundo potências ocidentais, testará a boa vontade dos iranianos em negociar "seriamente".

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