quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Capitalismo

Antonio Delfim Netto

Diante da enorme confusão sobre o diagnóstico e os tratamentos que devem ser aplicados para que sobreviva a União Europeia e sua moeda única, o euro, é importante reafirmar que a economia política, uma acumulação de conhecimentos que a história mostra, é indispensável à boa administração privada e à boa governança pública.
Ela não deve ser identificada com a fracassada engenharia financeira, que somou físicos de pouco sucesso na sua profissão a economistas mal preparados com inveja do "sucesso" da física.
A crise de 2007-09 tem pouco a ver com as flutuações ínsitas no próprio funcionamento da economia de mercado. Ela foi produto do eterno destempero do sistema financeiro quando não sujeito à mais estrita regulação. Mas não poderia ter amadurecido a não ser com a conivência dos Estados submetidos ao seu crescente poder.
O drama da eurolândia também não tem nada a ver com as crises periódicas que são um dos inconvenientes da economia de mercado. A explosão do Lehman Brothers colocou à luz do sol as patifarias do setor financeiro privado dos EUA e, logo em seguida, as velhacarias do setor público de alguns países da eurolândia que só foram possíveis com a conivência das agências de "risco".
Isso nada tem a ver com a economia que usa os mercados cujo codinome é "capitalismo" para alocar os seus recursos na produção dos bens desejados pela sociedade.
Esse foi o sistema encontrado pelo homem na sua busca de métodos mais eficientes para suprir as suas necessidades e que fossem compatíveis com sua liberdade de iniciativa.
É apenas um processo histórico apoiado em inovações tecnológicas que vai se reconstruindo a cada crise, das quais sai sempre renovado na direção da maior eficiência produtiva e na ampliação da liberdade individual. Não é eterno e tem defeitos que talvez possam ser amenizados pela ação da própria sociedade organizada no Estado.
A China é um exemplo de como regimes politicamente fechados podem usar o mercado como instrumento para aumentar a eficiência produtiva e explorar os benefícios de liberdade de iniciativa (ainda que controlada) dos cidadãos.
A revolução tecnológica da informação, que apenas estamos começando a viver, é um novo ciclo de expansão da economia de mercado. A globalização adquire novos contornos e as relações sociais (principalmente o trabalho) vão sofrer mudanças profundas. Mais uma vez, um aperfeiçoamento na direção da redução do tempo para a sobrevivência material e um enorme passo na direção da construção da humanidade do homem.

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