quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Veto britânico encobre fato de zona do euro não achar solução

Análise

MARTIN WOLF
DO “FINANCIAL TIMES”



Aqueles que os deuses querem destruir eles primeiro enlouquecem. Foi essa minha reação ao resultado da reunião da semana passada do Conselho da União Europeia.
Compreensivelmente, muitas pessoas voltaram sua atenção à decisão do premiê britânico, David Cameron, de vetar um novo tratado.
Mas o comportamento do Reino Unido desviou a atenção das pessoas do fato de os líderes da zona do euro não terem conseguido propor um remédio digno de crédito para os males que atingem a união monetária.
Cameron apresentou a seus colegas uma lista de exigências que visavam proteger a City [centro financeiro de Londres] e a capacidade do governo britânico de regulamentá-la.
Ele poderia ter declarado que aceitaria um tratado que fosse aplicável apenas a membros e candidatos a membros da zona do euro. Poderia ter assinalado que submeteria a referendo no Reino Unido um tratado que fizesse mais que isso (e o texto com certeza teria sido derrotado).
Ao invés disso, terminou sem salvaguardas adicionais para a City e com um status semidesligado dentro da União Europeia, da qual, insistiu, quer que o Reino Unido continue a fazer parte.
Não foi um sucesso. Ele não realizou nada de positivo, mas vai solapar a credibilidade da participação britânica na UE. Isso terá custos substanciais.
No entanto, muito mais importante que esse ato de teatro político britânico é o que agora poderá acontecer na zona do euro. Sobre esse ponto, sou pessimista. Alemanha e França concordaram que não haverá união fiscal, financeira ou política.
A principal decisão tomada foi fortalecer a disciplina fiscal, erguendo o que a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, chamaram de uma "união de estabilidade e crescimento". Ou, a meu ver, uma "união de instabilidade e estagnação".
A zona do euro não possui um plano digno de crédito para resolver as falhas, tirando a austeridade fiscal maior.
Não haverá união fiscal, financeira ou política e não haverá mecanismo equilibrado de ajuste econômico de ambos os lados da divisão credores-devedores.
A decisão é tentar um pacto de estabilidade e crescimento cujas falhas são previsíveis. Cameron cometeu um erro grave. Mas o da zona do euro parece muito maior.

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