quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Rússia prende 500 para conter protestos

Ato contra a vitória de Putin em eleição parlamentar termina em confronto com forças de segurança do governo


Tropas especiais foram destacadas para 'garantir a segurança'; premiê disse estar satisfeito com eleições

Kirill Kudryavtsev/France Presse
Manifestante que fazia parte dos protestos da oposição é detido na praça do Triunfo, no centro da capital russa, Moscou
Manifestante que fazia parte dos protestos da oposição é detido na praça do Triunfo, no centro da capital russa, Moscou


MARINA DARMAROS
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA DE MOSCOu


Uma multidão de manifestantes insatisfeitos com a condução e o resultado das eleições parlamentares, que deram mais uma vez maioria na Duma (câmara baixa) ao partido do premiê Vladimir Putin, saíram de novo às ruas. Mas, desta vez, encontraram, do lado oposto, um movimento também expressivo.
Com tambores e palavras de apoio ao premiê e ao presidente Dmitri Medvedev, cerca de 5.000 "nashistas" ("os nossos", em russo), do movimento jovem pró-Putin, também marcharam por Moscou.
Houve confrontos entre os opositores e as forças de segurança, e cerca de 500 pessoas foram detidas em Moscou e São Petersburgo.
Entre os manifestantes presos estavam o ex-vice-premiê Boris Nemtsov e o líder do partido liberal Iábloko, Serguêi Mitrókhin. Nemstov, um dos principais dirigentes do país entre 1997 e 98, foi solto cerca de uma hora depois.
Ontem, o líder do Solidariedade, Ilya Yashin, que esteve à frente do grande protesto do dia anterior, foi condenado a 15 dias de prisão.
Forças especiais, que circularam com caminhões nas ruas de Moscou, foram destacadas pelo governo para "garantir a segurança dos cidadãos".
"O protesto [da oposição] foi autorizado e, como não deu certo, fizeram essa baderna. Conseguiram, mas foram detidas muitas pessoas e isso foi feito absolutamente dentro da lei", disse à Folha o líder do movimento Nashi, Konstantin Golosokokov, 25.
Na praça do Triunfo, o aposentado Kiril Petrovich, 72, protestava contra a "trapaça" do partido Rússia Unida, de Putin. que ficou com 238 das 450 cadeiras da Duma. "Estou aqui porque não gosto quando me trapaceiam e me roubam. Para os nashistas, trapacear e roubar é bom."
SATISFAÇÃO
O premiê disse ontem estar satisfeito com a performance do partido, apesar de o Rússia Unida ter perdido 77 cadeiras na Duma. "[Perdas] são inevitáveis para qualquer força política, particularmente para aquela que carrega a responsabilidade pela situação do país",afirmou.
Putin ainda minimizou as críticas de outros governos à possível fraude nas eleições. Da Alemanha, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, questionou o processo eleitoral do país, afirmando que os russos "têm o direito de terem suas vozes ouvidas e votos contados".

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