sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Novo mundo

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Crise de endividamento nas economias mais ricas abre perspectivas para o Brasil, que precisa aproveitar a oportunidade para avançar
As consequências da crise financeira no mundo desenvolvido continuam a se fazer sentir por toda parte. Nos EUA e na Europa, cada um à sua maneira, o legado endividamento público e privado é grave e será necessário muito tempo para que possa ser resolvido.
A tendência, provavelmente ainda por alguns anos, será de crescimento baixo e risco contínuo de recaídas recessivas, como se vê atualmente na Europa, que vive uma segunda onda de problemas financeiros na periferia do continente, à beira da insolvência. Não surpreende que já se preveja uma queda do PIB europeu em 2012.
Ainda que os EUA apareçam um pouco melhor, a expectativa para o crescimento da economia americana permanece abaixo de 2%.
Os emergentes, por sua vez, se não vivem em outro mundo, passam por situação diferente. É claro que não se podem minimizar os problemas locais na China, na Índia ou no Brasil, mas nessas economias o endividamento é menor e o crescimento, mais elevado.
Inverteu-se a relação de risco que tradicionalmente vigorou na economia mundial. Neste ano, pela primeira vez, o chamado risco Brasil (o adicional de juros em relação ao que seria um investimento considerado plenamente seguro) passou a ser menor que o de vários países europeus. Em relação à França, por exemplo, o Brasil pagava quase 3% ao ano a mais em 2008 para rolar suas dívidas -ao passo que hoje paga 0,5% a menos.
Essa inversão abre uma nova perspectiva para os próximos anos. Já está em curso uma mudança no padrão dos fluxos de capitais e investimentos, sempre em busca de oportunidades de lucro. A maior parte da riqueza financeira global ainda está alocada em ativos do mundo rico, mas os investidores começaram a se movimentar.
Estima-se que fundos de pensão e outros poupadores de longo prazo dos EUA e da Europa tenham apenas 5% de seus recursos aplicados nos países em desenvolvimento, que, no entanto, perfazem mais da metade do PIB global.
No Brasil, é notória a crescente entrada de investimentos de longo prazo nos últimos dois anos. Seria ingenuidade atribuí-la simplesmente a méritos das políticas internas. De certa forma, essa movimentação ocorre a despeito da falta de avanços satisfatórios em temas como redução da carga tributária, aumento da competitividade, ampliação da infraestrutura e combate à corrupção, entre outros pontos.
Melhorar em todos esses quesitos continua a ser um desafio importante para o país aproveitar, da melhor maneira possível, as oportunidades oferecidas pela nova conjuntura internacional.
Deve-se, ainda, redobrar a atenção com a dívida pública. Mantê-la relativamente baixa e em queda na comparação com o PIB é um ativo valioso, que precisa ser preservado pelo governo.

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