quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Irã censura 'embaixada virtual' dos EUA

Governo americano cria portal para fazer propaganda junto à população iraniana, mas acesso é vetado por Teerã



Países não mantêm relações desde 1980; muitos iranianos usam programas que burlam a censura do regime



LUCIANA COELHO
DE WASHINGTON

SAMY ADGHIRNI
DE TEERÃ


A ofensiva política americana contra o Irã ganhou nesta semana um front inspirado na Guerra Fria: funciona desde anteontem a Embaixada Virtual dos EUA em Teerã.
O objetivo do site é "ampliar o diálogo entre o governo dos EUA e a população iraniana" no momento em que as tensões crescem pela suspeita de intenção bélica no programa nuclear persa. Rapidamente, o Irã bloqueou o acesso no país.
Os dois países não têm laços desde 1980, após iranianos tomarem a embaixada dos EUA, fazendo reféns.
"Esta é a Radio Free Europe do século 21", disse à Folha Gregory W. Sullivan, conselheiro-sênior do Birô de Oriente Próximo do Departamento de Estado, em alusão à rádio lançada pelos EUA após a Segunda Guerra para levar propaganda ao bloco soviético. Os endereços são iran.usembassy.gov, tehran.usembassy.gov e persian.iran.ussembassy.gov.
O site informa sobre vistos para estudar e visitar os EUA e dados históricos comuns entre os países, além de mensagem da secretária de Estado, Hillary Clinton.
O grosso, porém, é parte da guerra ideológica: relatórios internacionais sobre direitos humanos no Irã e propaganda sobre os benefícios da imprensa livre e da democracia.
Analistas políticos americanos têm, cada vez mais, pedido medidas "criativas" que extrapolem a atual dinâmica de sanções, pouco eficaz, e não descambem para o uso da força militar.
A estimativa dos EUA é que 30% da população de 78 milhões do Irã acessem a internet, 40% com mecanismos para burlar a censura.
CENSURA
Logo depois de ser lançada, a "embaixada virtual" pôde ser acessada no Irã durante algumas horas anteontem. A brecha é atribuída ao fato de as autoridades estarem comemorando um feriado.
Mas na tarde de anteontem os diversos endereços usados pela "embaixada" virtual já haviam sido bloqueados.
Quem tentava acessar esbarrava numa página informando que o navegador não permitia a abertura ou era redirecionado a um portal que sugere sites iranianos.
No entanto, o portal continuava acessível para os iranianos que possuem programas que permitem contornar toda a censura oficial. O sistema mais comum funciona por meio de um software que, uma vez instalado, cria uma espécie de "túnel" conectando o computador diretamente à internet fora do Irã.

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