quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Henry Adams e Dilma

Kenneth Maxwell

O artigo de Nicholas Lemann, diretor da Escola de Jornalismo da Universidade Columbia, sobre Dilma Rousseff, publicado na revista "The New Yorker", termina com uma observação curiosa.
Dilma diz que seu "livro de cabeceira" no momento é "A Educação de Henry Adams". O que mais a impressiona é o esforço de Adams para "compreender a elite financeira e política dos EUA" e a forma pela qual ele "viu que, para construir uma grande nação, a base deve ser a educação".
Lemann esteve no Brasil em agosto. Visitou Lula no Sofitel, Sérgio Cabral no Rio de Janeiro e FHC em seu apartamento "em um bairro rico de São Paulo". Foi ao Planalto, onde foi recebido por Dilma e diversos assessores. O encontro parece ter sido bem curto. Dilma foi objetiva, como de hábito. Criticou a política econômica dos EUA e da Europa por "exportar a crise". Queixou-se de que estão "inundando o mercado com um excesso de liquidez".
Henry Adams era bisneto de John Adams, o segundo presidente dos EUA. Seu avô foi o também presidente John Quincy Adams. Seu pai, Charles Francis Adams, serviu como enviado do presidente Abraham Lincoln à Inglaterra durante a guerra civil norte-americana (1861-65), e Henry trabalhou como secretário privado do pai em Londres.
Formado na classe de 1858 de Harvard, teve entre seus colegas o filho do coronel Robert Lee, que pouco depois seria o comandante do exército da Confederação no conflito. Adams gostava de "Roony" Lee, descrevendo-o como "alto, robusto, bem apessoado, cordial, dotado do espírito aberto e liberal da Virgínia".
A despeito de ser um típico norte-americano da Nova Inglaterra -e, portanto, inimigo da escravatura-, Henry Adams e o sulista "Roony" Lee se tornaram bons amigos.
Adams escreveu em nome do amigo, que se definia como "nada intelectual", a carta pela qual ele aceitou um posto como oficial no exército que o general Winfield Scott organizava para uma campanha contra os mórmons. Adams considerava que ele e "Roony" Lee eram "homens do século 18".
Adams alegava que passou a vida lutando contra os bancos e o capitalismo. Via-os como parte das forças que haviam "esmagado impiedosamente" a classe em que nasceu. Encarava com repulsa a corrupção escancarada que grassava em Washington depois da guerra civil.
Após um breve período como professor em Harvard, ele renunciou à função e dedicou-se a escrever sobre história e extensas viagens. Tornou-se presidente da Associação Histórica Americana. Era também um fervoroso antissemita.
"A Educação..." é, decerto, uma grande obra, mas talvez não pelos motivos mencionados por Dilma Rousseff.

Nenhum comentário: