quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Gorbachev pede nova eleição na Rússia

(Foto: Alexander Zemlianichenko/AP) Gorbachev denunciou fraudes
O ex-presidente Mikhail Gorbachev – último líder soviético – se juntou à oposição russa, que ontem convocou novas manifestações contra o governo e o primeiro-ministro Vladimir Putin. O pai da Perestroika (reestruturação da economia russa), exigiu novas eleições parlamentares.
“As autoridades só podem tomar uma decisão: anular as eleições de domingo. Ignorar a opinião pública desacredita o governo e desestabiliza o país”, disse.
Com a apuração praticamente concluída, o Rússia Unida, partido de Putin, obteve 238 das 450 cadeiras da Duma (Parlamento), bem mais do que a maioria simples, mas 77 a menos do que nas últimas eleições, em 2007. Em segundo lugar no pleito ficaram os comunistas, com 92 cadeiras.
No entanto, opositores, observadores internacionais e jornalistas independentes acusam o governo de fraudar as eleições.
Entre as denúncias estão a inclusão de cédulas preenchidas nas urnas antes do começou da votação, o uso de canetas com tinta removível e a troca de comida e de outros benefícios por votos.
O chefe da Comissão Eleitoral Central (CEC), Vladimir Churov, ridicularizou as dezenas de vídeos amadores postados na internet que mostram diferentes tipos de fraudes sendo cometidas em seções eleitorais do país.
“Tem muito lixo na internet”, disse Churov. Ele afirmou que as imagens haviam sido gravadas em “estúdios caseiros.”
Ontem, no terceiro dia seguido de protestos contra Putin e o governo, a polícia voltou a prender dezenas de opositores. As manifestações, no entanto, atraíram bem menos dissidentes – foram cerca de 300 pessoas em Moscou e outras 300 em São Petersburgo.
Desde segunda-feira, 24 horas após eleições e o primeiro dia de protestos, cerca de mil pessoas já foram detidas. Como forma de atemorizar os oposicionistas, as autoridades prenderam dois líderes das manifestações, por 15 dias, por desobediência civil.
Apesar da repressão, o grupo batizado “Movimento por Eleições Justas” convocou, por meio das redes sociais, um novo protesto para sábado, em Moscou.
Em meio aos protestos, Putin encaminhou os documentos para participar da eleição presidencial em 4 de março.
A inscrição foi feita em visita breve e silenciosa à sede da CEC. O registro como candidato é a primeira medida oficial para a candidatura do premiê, que ocupou a presidência de 2000 a 2008.

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