domingo, 11 de dezembro de 2011

Europa perde presença no comércio global

Crise faz participação da UE nas importações mundiais atingir em setembro o menor patamar desde ao menos 2006


Problema do bloco afeta desde os emergentes, considerados mais dinâmicos, até os EUA, maior economia global

ÁLVARO FAGUNDES
DE SÃO PAULO



A crise europeia, associando baixo crescimento (ou até recessão) com crédito cada vez mais raro, fez a participação do bloco nas importações globais atingir o menor patamar desde ao menos 2006.
De acordo com dados da OMC, a fatia da União Europeia (excluindo o comércio dentro do bloco de 27 países) na importação mundial foi de 17,5% em setembro -dado mais recente disponível.
No início de 2009, esse percentual era de 21,9%, aponta a pesquisa iniciada em 2006.
E levantamento feito em grandes economias, inclusive no Brasil, mostra que a situação se agravou em outubro e novembro, quando a crise europeia piorou e os bancos travaram os empréstimos para famílias e empresas.
Na Coreia do Sul, por exemplo, a fatia da zona do euro nas exportações recuou 2,5 pontos percentuais entre outubro do ano passado e o mesmo mês deste ano.
A China registrou uma queda menor, de 1,3 ponto, mas os europeus são seu principal parceiro comercial.
Com isso, Pequim afirmou na semana passada que, em 2012, vai mirar os mercados emergentes para tentar minimizar suas perdas.
A presença europeia no comércio global é expressiva (5 dos 10 maiores importadores são do bloco) e é uma das razões que explicam por que a reunião de líderes encerrada anteontem foi acompanhada com tanta atenção.
A região dificilmente escapará de uma recessão em 2012, mas espera-se que seja "moderada". O calote da dívida de um país como a Itália, porém, deve agravar isso.
E, com as economias cada vez mais interligadas, o impacto da crise europeia não vai ficar restrito ao bloco.
Hoje, a menor demanda europeia por aço, por exemplo, afeta desde as siderúrgicas chinesas até as mineradoras brasileiras, que sofrem com a queda da cotação.
E a pauta de exportações do Brasil para a Europa é ampla: vai de produtos básicos (como soja) a aeronaves.
O alcance da crise da Europa foi ressaltado pelo economista francês Uri Dadush, ex-diretor de comércio internacional do Banco Mundial.
Para ele, os problemas do bloco vão atingir não apenas a atividade econômica dos mercados emergentes (que vão ter suas exportações limitadas), mas, por tabela, também a dos Estados Unidos, que vem apresentando recentemente sinais de melhora.
"A desaceleração nas economias globais mais dinâmicas [as dos países emergentes] vai reduzir mais a demanda por bens dos EUA, ao mesmo tempo que a subsequente recessão global e a queda das ações nas Bolsas de Valores vão reduzir os lucros das empresas", disse em análise.

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