segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

À espera dos ianques

Vinicius Mota

SÃO PAULO - Adiada para as calendas gregas a recuperação da Europa, é dos Estados Unidos que se esperam as próximas notícias de mudanças no quadro de letargia econômica das nações desenvolvidas. Próximas? Aguardemos sentados, dizem os prognósticos das principais instituições financeiras.
O gigante de US$ 15 trilhões tomou neste ano uma segunda cacetada da crise, cuja fase aguda irrompeu em 2008. Não foi suficiente para produzir nova recessão, mas machucou. Os americanos tiveram seu ritmo de crescimento, que foi de 3% em 2010, cortado à metade. Uma reação incipiente foi abortada.
Agora, segundo a maioria dos prognósticos, o PIB dos EUA vai retomar a velocidade de cruzeiro só em 2014. Entenda-se por velocidade de cruzeiro uma alta da atividade econômica de 3% ao ano.
Para quem acha pouco, basta verificar a média anual de crescimento da economia americana nas últimas três décadas: 2,7%. Recuando-se mais 30 anos (1951-1980), o indicador sobe um pouco, para 3,6% ao ano, mas chega apenas à metade, por exemplo, da velocidade do PIB brasileiro no mesmo período.
Não há nada anômalo nessa trajetória dos EUA. Quanto maior se torna uma economia, mais difícil fica sustentar taxas elevadas de crescimento ao longo dos anos. O volume mais que compensa a redução da marcha: para gerar a mesma quantidade de produção nova que os EUA crescendo 3%, o PIB do Brasil teria de saltar 18% de um ano para o outro.
Incomum é uma economia emergente, em pleno voo para romper a barreira do subdesenvolvimento, cair numa armadilha de crescimento baixo, como ocorreu com o Brasil nas décadas de 1980 e 1990 -o PIB andou a 2,1% ao ano no período.
É normal, portanto, que os EUA tenham perdido participação no PIB mundial de 1980 para cá. Anormal é que com o Brasil tenha ocorrido o mesmo fenômeno.

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