domingo, 11 de dezembro de 2011

A DITADURA E OS TRÊS PATETAS

Estátuas faziam alusão a militares nos anos 60

BELÉM

Quem digitar "Praça dos Três Patetas" no Google Maps verá se abrir na tela do computador uma imagem aérea da cidade de Santarém, no oeste do Pará. Apesar de parecer uma homenagem ao histórico trio de humoristas norte-americanos Moe, Larry e Curly, é, na verdade, um símbolo de rebeldia.

Tudo começou no final dos anos 60, quando Santarém - juntamente com outros municípios amazônicos que poderiam abrigar movimentos guerrilheiros - foi transformada pela ditadura militar em área de segurança nacional.

O então prefeito foi destituído e em seu lugar assumiu um interventor militar, Elmano Moura Melo, que quis marcar o início de sua gestão com a instalação de um monumento na cidade.

Melo encomendou a um artista local uma estátua que representasse as três Forças Armadas: Exército, Marinha e Aeronáutica.

Assim foi feito, mas a população, insatisfeita com a intervenção autoritária do governo federal, preferiu associar o monumento aos protagonistas do show de pastelão que, na época, animavam a sessão da tarde na televisão.

O nome do local "pegou" de tal maneira que virou semioficial. Para evitar prejuízos à imagem das Forças Armadas, as estátuas foram recolhidas. Hoje, está lá apenas o pedestal que dava suporte ao monumento. Mas todos sabem onde fica a Praça dos Três Patetas.

"Esse episódio mostra que nossa população nunca aceita coisas impostas de cima", disse a prefeita da cidade, Maria do Carmo (PT), uma das líderes da frente que defenda a criação do Estado de Tapajós.

/ DANIEL BRAMATTI

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