quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Boas e más notícias

Kenneth Maxwell

A má notícia é que a presidente Dilma Rousseff perdeu sete ministros desde que assumiu o governo. Seis deles renunciaram diante de acusações de corrupção: Antonio Palocci, Alfredo Nascimento, Wagner Rossi, Pedro Novais, Orlando Silva e Carlos Lupi.
Nelson Jobim, que era ministro da Defesa, renunciou não devido a alegações de corrupção, mas como resultado de declarações públicas "politicamente incorretas". A maioria desses ministros integra partidos políticos da coalizão governista.
Um oitavo ministro, Fernando Pimentel, também está sob séria pressão. Como Palocci, ele ganhou muito dinheiro com sua consultoria após encerrar seu mandato como prefeito de Belo Horizonte e antes de ser ministro do Desenvolvimento. Mas ele foi escolha pessoal de Dilma, é membro do PT, velho amigo da presidente e peça importante de sua equipe econômica.
A boa notícia é que Dilma assinou a lei criando a Comissão da Verdade, cujo trabalho cobrirá o período do regime militar. O Brasil demorou muito para chegar a essa posição, bem mais do que a Argentina, o Uruguai e o Chile.
A Lei da Anistia não permitirá processos. Pelo menos 400 pessoas foram mortas durante o governo militar. Muitos foram presos e torturados, e outros foram expurgados e exilados. As vítimas incluem a presidente Dilma, presa e torturada. O ex-presidente Lula foi preso e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi expurgado de seu posto universitário e forçado a se exilar.
O Brasil também agiu, sob Dilma, para regularizar o acesso a documentos oficiais, algo a que tanto Lula quanto FHC haviam resistido. É um passo importante rumo a uma maior transparência. E, de novo, demorou demais.
A Folha lançou o "Folhaleaks", sobre documentos secretos. Entre eles, telegramas do Itamaraty que revelam a extensão da cumplicidade entre o Brasil e o general Pinochet após o golpe no Chile, em 1973.
Dilma manteve o apoio do eleitorado, a despeito dos escândalos ministeriais. O Brasil tem posição intermediária no ranking de percepção de corrupção da Transparência Internacional. Mas Fernando Rodrigues, da Folha, acredita que o Global Integrity Report seja um indicador melhor. Nele, o Brasil tem posição elevada em termos de organização da sociedade civil, integridade eleitoral e participação dos cidadãos, baixa quanto ao Estado de Direito e à eficiência da polícia e muito baixa quanto à regulamentação do funcionalismo público e à proteção aos que façam denúncias.
Sobre prestação de contas pelos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, o Brasil ocupa posição intermediária. No geral, não é um mau saldo para o primeiro ano de Dilma.

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