sábado, 10 de dezembro de 2011

Ataque de Pearl Harbor completa 70 anos

Historiador britânico afirma que o grande rival dos EUA no Pacífico hoje é a China



7.dez.1941/Reuters
Incêndio provocado em Pearl Harbor pelo ataque japonês
Incêndio provocado em Pearl Harbor pelo ataque japonês



RICARDO BONALUME NETO
DE SÃO PAULO


Há 70 anos, em 7 de dezembro de 1941, o Japão atacou de surpresa a base naval americana de Pearl Harbor, depois de uma série de confrontos comerciais e diplomáticos, forçando os EUA a entrarem na Segunda Guerra Mundial (1939-1945) ao custo de 2.400 mortos, vários navios afundados e centenas de aviões destruídos.
Hoje a rivalidade comercial é entre outra potência asiática emergente e os EUA; mas haveria chance dessa rivalidade adquirir conotações militares? Ou como escreveu recentemente o jornalista e historiador britânico Max Hasting: "Será que a Terceira Guerra Mundial será entre EUA e China?"
Os japoneses atacaram em 1941 com uma frota baseada em seis porta-aviões. A China tem apenas um porta-aviões, o "Shilang". Mas a Marinha chinesa continua em rápida expansão, assim como o Exército e a Força Aérea.
"Colocando a coisa de modo brusco: americanos proeminentes receiam que quando a corrente da grande expansão das Forças Armadas chinesas alcançar a maturidade, em uma década ou mais, Pequim não vai ter escrúpulos burgueses em usar a força para obter o que deseja no mundo -a não ser que os EUA e seus aliados estejam militarmente fortes para detê-la", escreveu Hastings.
Um estudo da instituição de pesquisa americana Rand sobre o futuro da aviação militar afirma que o poderio americano no Pacífico vai ser insuficiente em 2020 para impedir um ataque a Taiwan.
A "maturidade" das Forças Armadas chinesas significa o seu reequipamento com material moderno. Até recentemente essas forças se baseavam mais em quantidade do que em qualidade. Mas isso está mudando à medida em que o poderio econômico permite comprar equipamento avançado, principalmente na Rússia, e também produzir versões locais cada vez mais sofisticadas, como o caso do caça "furtivo" (menos visível ao radar) J-20.
A crescente frota de submarinos chinesa também dificultaria as operações dos porta-aviões americanos na defesa de Taiwan. As bases aéreas americanas na região, no Japão e na Coreia do Sul, ficam muito distantes de Taiwan e do mar do sul da China, onde vários países disputam arquipélagos.
EUA e China têm um comércio bilateral gigante e isso já bastaria para eliminar os receios de um conflito militar entre eles, embora a possibilidade exista, bastando lembrar que tropas chinesas intervieram na Coreia em 1950 lutando diretamente com tropas americanas.
"Mesmo que por óbvios motivos econômicos a China não quiser uma guerra total, poucos militares de qualquer nacionalidade duvidam que a região do Pacífico seja o lugar mais plausível no mundo para um conflito entre grandes potências", escreveu Hastings.
Já na Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e no imediato pós-guerra o Japão começou um programa de expansão militar, especialmente naval, já tendo como foco do planejamento uma guerra com os EUA. A guerra demorou para vir, só em 1941. No momento as chances de novo conflito no Pacífico são remotas; mas é difícil prever o mundo de 2041.

Nenhum comentário: