quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Proximidade

KENNETH MAXWELL

Os manifestantes anticapitalistas em Londres tomaram por alvo a Bolsa de Valores da capital britânica. Mas, em lugar disso, terminaram por causar problemas para a Igreja Anglicana. Foi um estranho resultado causado por um acidente de proximidade.
Em Londres, os manifestantes tentaram imitar o ocorrido em Nova York e protestar diante da sede da Bolsa de Valores. Entretanto a polícia impediu seu ingresso.
Desviados de seu objetivo original, eles montaram seu acampamento de protesto na praça adjacente, que fica diante da catedral de St. Paul.
No começo, foram recebidos cordialmente. O reverendo Giles Fraser, cônego da catedral, persuadiu a polícia a não expulsá-los. Por isso, os manifestantes montaram suas barracas em terrenos que são, em parte, propriedade da igreja.
A catedral de St. Paul é uma igreja de forte simbolismo. Sua grande cúpula domina o panorama de Londres há muito tempo. Suas portas nunca se fecharam. Nem mesmo durante os bombardeios aéreos nazistas da Segunda Guerra Mundial (1939-45).
A grande igreja foi projetada por sir Christopher Wren depois do grande incêndio de Londres em 1666, e construída entre 1675 e 1710.
A catedral serviu de cenário a muitas ocasiões de Estado. O funeral de lorde Nelson, o heroico almirante inglês, aconteceu lá. Como o de sir Winston Churchill. A catedral foi também o cenário do glamouroso, mas malfadado, casamento entre o príncipe Charles e lady Diana Spencer.
Mas a hospitalidade do cônego Fraser durou pouco. Enquanto os manifestantes expandiam seu acampamento, o reverendo Graeme Knowles, deão de St. Paul, anunciou que as portas da catedral seriam fechadas por motivos de "saúde e segurança".
A Igreja Anglicana solicitou uma liminar para expulsar os manifestantes, seguindo o exemplo da City de Londres, também proprietária de parte do terreno.
O reverendo Fraser renunciou. O bispo de Buckingham classificou o fechamento das portas da catedral como "reação histericamente exagerada". Na terça-feira, a Igreja Anglicana voltou atrás. As portas da catedral foram abertas de novo. O deão se demitiu.
O cabido da catedral revogou "unanimemente" a tentativa de obter uma liminar de expulsão. A City de Londres fez o mesmo.
Até mesmo o arcebispo de Canterbury, Rowan Williams, primaz da Igreja Anglicana, escreveu uma coluna para o jornal britânico "Financial Times" declarando que era hora de "desafiarmos os ídolos das finanças".
Os manifestantes acampados diante da catedral mal conseguiam acreditar em sua sorte. A proximidade, evidentemente, tem suas vantagens.

KENNETH MAXWELL escreve às quintas-feiras nesta coluna.

Tradução de PAULO MIGLIACCI

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