segunda-feira, 28 de novembro de 2011

O drama de cada um

Vinicius Mota

SÃO PAULO - A Itália está em crise. O Brasil não. A renda média de um italiano, de US$ 37 mil por ano, é quase três vezes a nossa.
Se a renda per capita brasileira crescer 3% a cada 12 meses, vai levar 35 anos para atingir o ganho de hoje dos italianos. Que tal mirar a renda dos franceses em crise? Com 3% de alta no PIB per capita, o Brasil empata o jogo perto de 2055, com meio século de atraso.
Tais dados relativizam, de um lado, o choro dos europeus por conta da crise e, de outro, os exageros sobre a ascensão do Brasil.
O mundo rico vive uma crise da maturidade. Além das travas conjunturais, como a dívida elevada, a escala a que chegou a economia e a acomodação diante dos benefícios conquistados dificultam a continuidade da evolução.
Quando o PIB da Itália aumenta 1%, coloca em média US$ 370 para cada cidadão na economia. Quando o Brasil cresce 1%, sobram US$ 130 para cada brasileiro.
A cada um o seu drama. Os europeus se digladiam porque lhes restou a opção de diminuir seus benefícios sociais invejáveis, a fim de tornarem-se mais produtivos e competitivos. Os brasileiros deveríamos estar preocupados com o fracasso do país em sustentar taxas de crescimento acima de 5%.
Rumamos para a armadilha da renda média -o risco de experimentar sintomas e limitações das economias maduras muito antes de ter chegado ao nível de renda e sofisticação industrial das nações desenvolvidas.
Para escapar da maldição, o Brasil precisa, desesperadamente, dar saltos de produtividade, eficiência, inovação e competitividade. A sociedade e, sobretudo, o governo consomem demais.
Expõem-se ao endividamento inconsequente e perigoso, enquanto o triunfo solo das atividades agrárias e extrativistas, incapazes de sustentar sozinhas um país de 190 milhões de habitantes, dá o tom do futuro.
vinimota@uol.com.br

Nenhum comentário: