sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Morales surpreendeu Brasil ao romper contrato de US$ 98 mi

Empresário não foi avisado, e Itamaraty julga ato "inoportuno"

FLÁVIA MARREIRO
DE CARACAS

A decisão do presidente boliviano, Evo Morales, de rescindir contrato no valor de de US$ 98 milhões (R$ 170 milhões) com um consórcio boliviano-brasileiro, anunciada anteontem, foi "uma surpresa" para o empresário brasileiro Waldec Nogueira, diretor da Petra, que integra o consórcio.
Segundo Nogueira, que embarcou ontem para La Paz, Morales não avisou os envolvidos antes de anunciar publicamente a decisão de romper o negócio.
A justificativa apresentada por Morales é que há atraso nas obras. Ele também acusou o consórcio -que além da Petra (35%) inclui a Santa Cruz Engenharia (35%) e a boliviana Nubro SA (30%)- de "terceirizar" o serviço.
Nogueira admite que a obra está com o cronograma atrasado, mas nega as acusações de terceirização. Segundo ele, a Petra quer seguir no negócio, financiado pela CAF (Corporação Andina de Fomento).
O governo boliviano promete descontar um cheque-garantia de US$ 6 milhões (R$ 10,4 milhões) entregue pelas empresas e não descarta ações legais contra o grupo.
O rompimento do contrato ocorre num momento em que a Bolívia tenta renegociar com o governo brasileiro e o BNDES ajustes no financiamento para a construção de outra estrada, na Amazônia boliviana.
A empreiteira brasileira OAS é a responsável por essa obra, que suscitou manifestações contrárias de indígenas amazônicos -porque seu traçado prevê construção em área de reserva ambiental- e terá US$ 332 milhões (R$ 577 milhões) do BNDES.
O governo brasileiro também foi surpreendido com o anúncio da rescisão feito anteontem por Morales e o considera inoportuno, segundo a Folha apurou.
Uma das condições de Brasília para renegociar o contrato da estrada financiada pelo BNDES é ter gestos de "boa vontade" de La Paz em temas controversos como a devolução de carros roubados no país e evitar episódios de impacto negativo na opinião pública brasileira.

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