quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Futura secretária dos EUA não cita o Brasil como sua prioridade

Senado americano sabatinou Roberta Jacobson, que será principal diplomata do país para a América Latina

Ela se disse disposta a trabalhar mais com a sociedade civil do que com alguns governos latino-americanos

LUCIANA COELHO

DE WASHINGTON

Os EUA estão dispostos a trabalhar mais com a sociedade civil do que com os governos em "alguns países da América Latina", afirmou ontem em sabatina no Senado a futura responsável pela região no Departamento de Estado, Roberta Jacobson.
Nos 55 minutos em que a Comissão de Relações Exteriores interrogou a futura secretária-assistente de Estado para o Hemisfério Ocidental -posto-chave na diplomacia continental-, porém, o Brasil não foi citado entre as prioridades. A única menção, genérica, veio na apresentação.
Parcerias com México e Colômbia foram rapidamente abordadas, mas o que a sessão realmente focou foram os países considerados hostis pelos congressistas americanos -sobretudo Cuba.
Indagada sobre como garantiria as liberdades civis em uma região onde a mídia ou dissidentes têm entrado em embate com os governos, Jacobson afirmou que se tratava de uma prioridade.
"Todos os embaixadores dos EUA têm como mandato fortalecer a sociedade civil e trabalhar com ela assim como trabalham com os governos -ou tentam trabalhar."
"Em alguns países, trabalharemos mais com a sociedade civil que com os governos, conforme a circunstância. É prioridade importante para mim", acrescentou.
Cuidadosa, ela não citou onde isso ocorreria. Mas a pergunta do democrata Robert Menendez listou Venezuela, Bolívia, Equador, Nicarágua, Belize e, "até certo ponto", a Argentina.
Jacobson disse monitorar com preocupação os relatos de observadores das eleições na Nicarágua, no dia 6, e estar atenta para "garantir que os venezuelanos possam expressar seu desejo político" no pleito de 2012 -tido pelo comitê como "o evento crucial da década na região".
Outras prioridades serão o combate ao crime transnacional, a redução da desigualdade, a reconstrução do Haiti, parcerias energéticas e a preservação do ambiente.
Apesar do discurso, porém, Menendez reclamou que o financiamento americano aos países vizinhos caiu 14% no último ano e questionou a eficácia da política de distensão relativa do presidente Barack Obama para Cuba.
Jacobson, interina no cargo desde julho, foi indicada por Obama para substituir Arturo Valenzuela. Ela recebeu ontem o voto da comissão e deve ser efetivada em dias.

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