quarta-feira, 2 de novembro de 2011

China multa artista dissidente alegando impostos atrasados

Ativistas veem a ação como tentativa de amordaçar Ai Weiwei; governo pede que ele pague R$ 4 milhões

O artista, famoso crítico do governo chinês, já havia sido detido sem acusação por 81 dias neste mesmo ano
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

A China ordenou, ontem, que o artista Ai Weiwei, 54, pague 15 milhões de yuan (R$ 4 milhões) devido a impostos atrasados e multas.
Ativistas veem o caso como uma tentativa do governo de amordaçar seus críticos.
O artista é conhecido pelo desenho do estádio olímpico de Pequim, conhecido como "Ninho de Pássaro". Ele é, também, um dos maiores opositores do regime chinês.
Em abril, Ai foi detido no aeroporto de Pequim pela polícia, antes de embarcar para Hong Kong. Ele foi levado a um local desconhecido em que permaneceu por 81 dias.
A China foi duramente criticada devido à prisão do artista. Ele não havia sido acusado pelo país, na ocasião.

SOLITÁRIA
Solto em junho, Ai descreveu sua detenção como uma "tortura mental", afirmando ter sido mantido em confinamento solitário, vigiado por um par de soldados. As luzes, diz, nunca se apagavam.
Ai diz ter recebido a notícia da multa por meio de autoridades fiscais. O motivo seria seu trabalho na empresa Beijing Fake Cultural Development, na qual ele se projetou. O nome, em português, significa "desenvolvimento cultural falso de Pequim".
A empresa é de propriedade de Lu Qing, sua mulher. Ai afirma ter apenas o cargo de designer dentro da firma.

RAZÃO
O artista diz que o governo não mostrou as contas que provam que há impostos evadidos. Ele tem 15 dias para fazer o pagamento -o que afirma que só fará quando tiver de volta os livros contáveis apreendidos pela polícia.
"Podemos pagar esse dinheiro, mas precisamos saber por que temos de fazê-lo", afirmou Ai.
O artista diz, ainda, que a acusação de atraso nos impostos é uma maneira de o governo prejudicá-lo.
Durante o tempo em que ficou detido, aponta, nunca foi interrogado a respeito de suas finanças. As perguntas eram voltadas à sua participação em atos vistos como subversivos, como a organização de protestos no país.

INVESTIGAÇÃO
O artista escreveu ontem no Twitter que o contador da empresa foi ameaçado pelas autoridades chinesas.
Desde que foi solto sob fiança, em junho, Ai é investigado por "crimes econômicos" -que ele diz desconhecer. Ele foi proibido, na ocasião, de falar com a imprensa, escrever no Twitter ou deixar Pequim por um ano.
Logo em seguida, porém, ele violou a proibição e publicou um ensaio na "Newsweek". Sua conta no Twitter tem cerca de 100 mil seguidores, aos quais ele frequentemente critica o governo chinês.
Ai expôs em capitais como Londres, Nova York e Berlim, e arrecadou altas somas por meio de leilão de suas obras e de vendas em galerias.

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