segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Argentinos entram no controle da Usiminas

Ternium desbanca CSN e compra fatia da Votorantim e Camargo Corrêa na siderúrgica


DE SÃO PAULO


A Ternium, segunda maior siderúrgica da América Latina, anunciou ontem à noite a compra de 26% das ações ordinárias da Usiminas pertencentes aos grupos Votorantim e Camargo Corrêa.
A Ternium também comprou parte da fatia da Caixa dos Empregados Usiminas, fundo de pensão dos funcionários, na empresa.
Com isso, a Ternium, controlada pelo grupo argentino Techint, passa a deter 27,7% do capital votante da Usiminas e a compor o bloco de controle da siderúrgica mineira, ao lado do grupo japonês Nippon Steel.
Os argentinos pagaram
R$ 5,03 bilhões para entrar na Usiminas, ou R$ 36 por ação ordinária, o que representa um prêmio de 83% sobre o preço de mercado dos papéis -na sexta-feira, as ações ordinárias da Usiminas fecharam a R$ 19,70.
A Camargo Corrêa e a Votorantim informaram que a saída da Usiminas está relacionada à estratégia dos grupos de focar em segmentos considerados estratégicos por cada empresa.
A Camargo Corrêa informou, por meio de nota, que deve se concentrar na área de infraestrutura. Já o grupo Votorantim tem como "core business" os mercados de cimento, metais, celulose, suco de laranja e aços longos -a Usiminas é produtora de aços planos.
A saída da Camargo Corrêa e Votorantim da Usiminas ocorre em uma fase difícil para as siderúrgicas, que tentam se adaptar à forte concentração no setor de mineração, fornecedor do principal insumo para a produção de aço, o minério de ferro.
CSN DE FORA
O anúncio põe fim a uma longa negociação envolvendo as participações de Camargo Corrêa e Votorantim na Usiminas e pode ser interpretado como uma derrota da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), do empresário Benjamin Steinbruch.
Interessadas em sair do negócio, Camargo Corrêa e Votorantim chegaram a negociar a venda de suas ações na siderúrgica mineira com a CSN, segundo rumores de mercado -a empresa não confirmou oficialmente que teria apresentado a oferta.
O acordo barrou na oposição da Nippon Steel, maior acionista individual da Usiminas, ao negócio.
Diante do fracasso nas negociações, a CSN adotou uma nova estratégia: elevar a participação acionária na Usiminas por meio da compra de papéis da empresa na Bolsa de Valores.
Ao longo deste ano, a CSN emitiu quatro comunicados ao mercado informando aumento de participação acionária na empresa.
Segundo o último aviso, divulgado em 18 de novembro, a CSN detém 11,6% das ações ordinárias e 20,1% das ações preferenciais da Usiminas.
Recentemente, em entrevista na capital paulista, o presidente da CSN admitiu o esforço para aumentar a sua participação na Usiminas, mas também as dificuldades.
"Estamos tentando fazer a nossa parte, a gente tem que fazer. Agora, se vai dar certo, só Deus sabe", disse, ao final de setembro, Steinbruch.
Para barrar o avanço da CSN na siderúrgica mineira, a Nippon teria até costurado um acordo com a brasileira Gerdau, segundo informações de bastidores.
Com preferência na aquisição dos 26% da Camargo e da Votorantim, os japoneses comprariam os papéis para, depois, negociar com a Gerdau, que se tornaria acionista da Usiminas e impediria o avanço da CSN.
Nas últimas semanas, porém, ganhou força o rumor de que a Ternium estaria perto de acordo com Camargo e Votorantim, confirmado ontem.

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