quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Socialista surpreende e cresce na Argentina

Hermes Binner, apesar de ainda não ameaçar reeleição de Cristina no dia 23, já aparece em segundo nas pesquisas

Governador de rica província recebe apoio de intelectuais e está à frente de nomes de tradição na política
DE BUENOS AIRES

Cristina Kirchner deve ser reeleita na Argentina no próximo dia 23 com 52% a 57% dos votos, segundo pesquisas mais recentes. Numa eleição sem surpresas, uma novidade tem animado a reta final da campanha.
Trata-se do súbito crescimento do socialista Hermes Binner (Frente Amplio Progresista), que desbancou nomes de partidos tradicionais, como Ricardo Alfonsín, da União Cívica Radical, e o ex-presidente peronista Eduardo Duhalde (União Popular).
Binner, 68, alçou o disputado segundo lugar em meio a uma oposição pulverizada. Segundo pesquisas, obterá entre 14% e 16% dos votos, enquanto Alfonsín terá entre 9% e 12% e Duhalde pode despencar para o quinto lugar (com apenas 6% a 10%).
Hoje, os principais jornais argentinos, "Clarín" e "La Nación", devem publicar um abaixo-assinado de mais de cem intelectuais em apoio a Binner. Participam acadêmicos, artistas e jornalistas.
Atual governador da próspera província de Santa Fé, ele surge como opção com imagem de político honesto, embora pouco carismático.
Não são conhecidos casos de corrupção graves em seu governo. Sua administração é aprovada pela população, tanto que acaba de fazer o seu sucessor.
Médico, tem um passado de militância que começou durante a ditadura de Juan Carlos Onganía (1966-70).
O nome de Binner chegou a ser cogitado para ser vice de Alfonsín. Mas não houve acordo, e o candidato da UCR preferiu fazer uma aliança com a centro-direita.
O partido socialista, embora pequeno, tem tradição na Argentina. Nos anos 30 foi influente. A partir da década de 40, com o peronismo cooptando os sindicatos, perdeu importância.
Para Beatriz Sarlo, que integra o grupo de intelectuais que apoiam Binner, um bom resultado dele "pode significar uma alternativa futura para setores progressistas da oposição".
Sarlo crê que o fracasso de Alfonsín se deu porque este "acreditou que juntaria votos com um discurso institucionalista, sem levar em conta que as pessoas votam por conta do presente econômico, que é bom para a classe média e também para os muito pobres, que recebem subsídios e planos do Estado".
A socióloga Claudia Hilb diz que o abaixo-assinado começou "quase como uma piada". "Mas quando começamos a perceber que entre nós, acadêmicos, Binner teria uns 90% dos votos, pensamos que havia aí uma brecha para a construção de uma opção política." (SYLVIA COLOMBO)

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