terça-feira, 4 de outubro de 2011

Sem álcool e com medo de ataques, Afeganistão faz o seu 'Rock in Rio'

Microfones foram desligados por duas vezes para ouvir o chamado à oração em Cabul


Ahmad Masood/Reuters
Mulher aplaude banda de rock durante festival

DA REUTERS, EM CABUL

Jovens -homens e mulheres- pulando ao som de punk rock e batidas pesadas. Seria um cenário extremamente comum em um festival de música, não fosse realizado em Cabul.
O jejum de 30 anos sem festivais no país foi quebrado no sábado por uma maratona de seis horas de blues, indie, música eletrônica e death metal com bandas da Austrália, Uzbequistão, Cazaquistão e Afeganistão. Muitos dos cerca de 450 pagantes da festa Sound Central nunca antes tinham visto música ao vivo.
Sob o regime do Taleban, a música chegou a ser proibida no país, e, mesmo hoje, lojas de música são atacadas em algumas cidades. O festival foi promovido sob forte segurança num canto do Babur Gardens, parque que cerca o túmulo de Babur, o primeiro imperador mongol.
A data e o local foram mantidos em segredo até o último minuto, para reduzir as chances de um ataque insurgente. Mas o festival não deixou de ter traços afegãos: não havia bebida alcoólica, e os únicos lanches servidos eram típicos espetos de carne.
As bandas deixaram o palco e os microfones foram desligados duas vezes no final da tarde para permitir que o chamado à oração do islã fosse ouvido sem interrupções, vindo das mesquitas vizinhas.
Alguns idosos com turbantes e barbas longas pareceram espantados, mas não inteiramente reprovadores.

Tradução de CLARA ALLAIN

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