quinta-feira, 20 de outubro de 2011

O destino do chavismo

Editoriais

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A um ano da eleição presidencial na Venezuela, em outubro de 2012, a maior incógnita é o estado de saúde do presidente Hugo Chávez, que enfrenta um câncer.
Passados quatro meses desde que a doença do caudilho se tornou pública, as informações permanecem escassas. Depois de sustentar por quase um mês que havia operado um abcesso pélvico, Chávez admitiu tratar-se de câncer.
Desde então, viaja com frequência a Cuba, onde se trata. Passou por uma bateria de exames no início da semana, cujos resultados não foram divulgados -ainda que o tivessem sido, seria difícil confiar na sua veracidade, dado o histórico do regime chavista.
A evolução do quadro de saúde do líder venezuelano terá grande influência na disputa. Se conseguir vencer a doença, sua imagem de político que enfrenta e ganha todos os embates -do golpe em 2002 ao câncer de agora- sairá fortalecida. Na hipótese de chegar combalido, o mito se enfraquece.
Prevalece por ora a empatia do eleitorado com o político que luta pela vida. Pesquisas mostram alta de dez pontos na avaliação do governo, para perto de 60%, desde que a doença foi revelada. A intenção de voto em Chávez também aumentou, de 30% para 40%.
O mandatário enfrentará, contudo, sua mais difícil eleição desde que chegou ao poder, há 12 anos. Está distante o auge do chavismo, de meados da década passada, quando o boom do petróleo impulsionou a economia de um produto só e a retórica populista espraiou-se por países vizinhos.
A Venezuela registrou recessão por dois anos seguidos -o PIB recuou 3,2% em 2009 e 1,5% em 2010. A expectativa é que cresça menos de 3% neste ano, com inflação anual de 30% e apagões de energia elétrica quase diários.
A oposição, de seu lado, deixou de ser irrelevante. O governador do Estado de Miranda, Henrique Capriles, considerado "centrista", aparece empatado com Chávez em algumas pesquisas. Ainda barrado na Justiça aparelhada pelo chavismo, Leopoldo López, ex-prefeito de Caracas, é outro nome forte.
O regime de Hugo Chávez parece mais vulnerável do que nunca esteve em uma década.

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