segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Cristina constrói 'brigada' na imprensa

Presidente argentina, que deve ser reeleita domingo, conta com mais de 30 veículos defendendo o seu governo

Maioria é beneficiada por publicidade oficial; Casa Rosada, enquanto isso, acusa existência de monopólio privado


Leo La Valle - 7.out.2011/Efe
Apresidente da Argentina, Cristina Kirchner, em campanha na Grande Buenos Aires

LUCAS FERRAZ
SYLVIA COLOMBO

DE BUENOS AIRES

Enquanto o governo de Cristina Kirchner prega o fim do que considera ser um monopólio da mídia, não para de crescer o número de veículos, públicos e privados, que, favorecidos por publicidade oficial, apoiam editorialmente os atos dela.
Ao mesmo tempo em que elaborou uma lei contra a acumulação de meios, centrando sua ações sobretudo contra o Grupo Clarín, maior conglomerado de comunicações do país, seguiu-se um movimento de direcionamento de publicidade para veículos amigos ou alinhados. Essa ação favoreceu a criação de uma grande "brigada kirchnerista", que reúne atualmente mais de 30 publicações (revistas e jornais) e programas de rádios e TV, que defendem os atos do governo e criticam jornalistas contrários à Casa Rosada.
Essa atuação ostensiva ficou mais evidente nas últimas semanas, com a proximidade das eleições presidenciais de domingo, quando ela deverá ser reeleita.

6, 7, 8
Na TV pública, é exibido o "6, 7, 8", o mais ácido programa dedicado à cobertura dos grandes meios. Na prática, a pauta é atacar o "Clarín".
"É um absurdo. Feito com o dinheiro do Estado, constrói um discurso de resistência militante que surge a partir do próprio poder", diz María O'Donnell, autora do livro "El Aparato", sobre as máquinas de propaganda e comunicação do kirchnerismo.
Intelectuais que apoiam o governo, como os do grupo Carta Abierta, e professores das universidades públicas onde se ensina jornalismo defendem o que chamam de "jornalismo militante", pró-governo, que se contraporia ao "jornalismo independente", a serviço de monopólios.
Em debate realizado pelo canal Todo Notícias (pertencente ao Grupo Clarín), na semana passada, a socióloga María Pía Lopez e a professora da Universidade de La Plata Florencia Saintout disseram que foi por meio da militância que se deram algumas conquistas do governo, como julgamento de militares e a aprovação do casamento gay.
Além de cortar a verba publicitária de jornais críticos -o grupo "Perfil" foi à Justiça e ela exigiu que o governo mantivesse equilíbrio em sua distribuição, decisão não cumprida-, a Casa Rosada, segundo jornalistas, também pressiona diretamente empresários para não anunciarem nesses veículos.
O jornalista Nelson Castro, hoje na Rádio Mitre, trabalhava na Rádio del Plata quando, em 2008, foi comprada pela empresa Electroinginiería, próxima ao governo.
"Um dia fizemos uma denúncia contra a empresa no ar. Quinze dias depois, cancelaram meu contrato. Depois soube que o próprio Néstor [Kirchner] havia entrado em contato com os donos da empresa e pediu para eu sair." Procurada, a assessoria do governo não deu declarações.

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