sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Chávez expropriará casas em arquipélago de luxo

Para justificar medida, presidente da Venezuela diz que construções são ilegais

Mandatário afirma que propriedades serão usadas em turismo de `rotas sociais', assim como iates confiscados

FLÁVIA MARREIRO
DE CARACAS

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou que pretende expropriar casas particulares no paradisíaco arquipélago de Los Roques, no caribe venezuelano.
Segundo Chávez, as casas foram construídas ilegalmente -ele não explicou qual a irregularidade- e agora devem ser usadas para promover "rotas sociais" turísticas.
"Sempre disse que Los Roques tem de ser nacionalizado", afirmou, em participação telefônica num programa da TV estatal, anteontem. O arquipélago com praias de água turquesa, parque nacional desde 1991, é um destino de turismo de luxo -menos por suas instalações, já que não há grandes resorts, do que pelos altos preços das passagens para voar até lá (US$ 800, a partir de Caracas, em feriados). Os turistas, boa parte estrangeiros, também chegam às ilhas em iates e veleiros.
Chávez promete mudar essa frequência e ofereceu anteontem pôr à disposição do novo público iates confiscados de banqueiros foragidos. O anúncio de Chávez não provocou reação imediata dos proprietários ameaçados de perder suas casas.
As propostas do presidente para as ilhas não devem ter maior transcendência interna, mas compõem o discurso governista de que tudo no país está ao alcance do povo -e não só da "alta burguesia", como no passado.
Em dezembro de 2010, a iniciativa foi abrir hotéis de luxo e instituições do Estado a desabrigados da chuva. Muitos grupos permanecem até hoje nos locais transformados em abrigos.
A retórica justiceira é repetida quase diariamente por Chávez na TV, a um ano da eleição presidencial. Depois de uma queda significativa de popularidade, no começo de 2010, o presidente venezuelano conta agora com aprovação em torno de 60% -salto de dez pontos desde junho, quando ele revelou que estava com câncer.
Desde então, Chávez divide seu tempo entre Caracas e Cuba, onde faz tratamento.

OFENSIVA
Desde 2007, quando declarou o caráter socialista do governo, Chávez tem empreendido uma ofensiva de nacionalizações e expropriações em setores considerados estratégicos, como petróleo, siderurgia e alimentação.
As intervenções são criticadas por empresários e investidores e têm tido resultados débeis para o Estado.

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